O que é a pancreatite, que gerou alerta sobre canetas emagrecedoras

Anvisa alerta contra uso indevido de Ozempic e similares devido ao risco de pancreatite aguda.

O que é a pancreatite, que gerou alerta sobre canetas emagrecedoras

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) alertou nesta segunda-feira (09/02) para os riscos criados pelo uso indevido das chamadas canetas emagrecedoras, incluindo pancreatite aguda, uma doença que pode levar à morte.

A Anvisa ressalvou que o risco já consta nas bulas, mas, diante de um aumento mundial de casos de pancreatite em usuários de canetas emagrecedoras, resolveu reforçar o alerta.

No Brasil, de 2020 até 7 de dezembro de 2025, foram notificadas 145 suspeitas de eventos adversos pelo uso das canetas. As autoridades ainda investigam se seis mortes estariam associadas às injeções.

A Anvisa destacou que o uso indiscriminado e fora das indicações autorizadas, especialmente para emagrecimento sem necessidade clínica, eleva significativamente os riscos à saúde.

O que são as canetas emagrecedoras?

Caneta emagrecedora é o nome popular para uma classe de medicamentos injetáveis que incluem a dulaglutida, a liraglutida, a semaglutida e a tirzepatida.Entre os nomes comerciais mais conhecidos estão Ozempic e Wegovy (semaglutida), Saxenda e Victoza (liraglutida) e Mounjaro (tirzepatida).

Esses medicamentos imitam a ação do hormônio GLP-1 (sigla para “peptídeo-1 semelhante ao glucagon”), que é produzido pelo intestino e atua no pâncreas. O GLP-1 aumenta a liberação de insulina quando os níveis de açúcar no sangue estão altos e atua no cérebro para dar a sensação de saciedade. Ele também retarda o esvaziamento do estômago.

A caneta emagrecedora é usada para injetar o medicamento de forma subcutânea (na camada de gordura da pele). Inicialmente esses fármacos haviam sido criados para tratar o diabetes tipo 2, mas passaram a ser usados para perder peso.

Esses medicamentos devem ser utilizados exclusivamente conforme as indicações da bula e sempre sob prescrição e acompanhamento de um médico.

O que é a pancreatite?

Pancreatite é uma doença caracterizada pela inflamação do pâncreas. Ela pode ser fatal se não for logo diagnosticada e tratada. Os sintomas incluem dor abdominal, febre, náusea e vômitos.

A doença ocorre quando as enzimas pancreáticas, que são usadas na digestão dos alimentos, são liberadas no interior do pâncreas, iniciando um processo de digestão do próprio órgão. A consequente lesão do pâncreas faz com que essas enzimas saiam e entrem na corrente sanguínea ou na cavidade abdominal, onde provocam irritação e inflamação do revestimento da cavidade e de outros órgãos.

Se a pancreatite for diagnosticada precocemente, é possível tratá-la e restaurar o equilíbrio do pâncreas.

As principais causas da pancreatite são o consumo excessivo de álcool e a formação de cálculos biliares (conhecidos como pedras na vesícula). Maus hábitos podem contribuir com a pancreatite, como tabagismo, consumo excessivo de bebida alcoólica e alimentos gordurosos.

Aguda e crônica

Há duas variações da pancreatite: aguda e crônica.

Na pancreatite aguda, a doença aparece repentinamente e dura alguns dias. A inflamação provoca o aumento do pâncreas e, se não tratada corretamente, pode levar à morte.

Na pancreatite crônica, a inflamação persiste por anos, e o paciente apresenta repetidas crises de pancreatite aguda. Nesse caso o acompanhamento médico deve ser contínuo, pois há perda progressiva da função do órgão, o que afeta todo o corpo.

As principais causas da pancreatite aguda são a formação de cálculos na vesícula biliar, além da ingestão excessiva de álcool. A principal causa da pancreatite crônica é o uso abusivo de álcool.

O que é o pâncreas?

O pâncreas é um órgão pequeno que, num adulto, pesa em torno de 100 gramas e possui cerca de 15 centímetros de comprimento. Ele está localizado na parte superior do abdômen, abaixo do estômago.

O pâncreas é responsável pela produção de hormônios como insulina, glucagon e somatostatina, que são fundamentais para manter o nível ideal de glicose no sangue. Além disso, o pâncreas também produz as enzimas amilase, lipase e tripsina, que estão diretamente relacionadas à digestão dos alimentos.

O que fazer se houver sintomas?

Uma dor abdominal intensa e persistente, que pode se espalhar para as costas e vir acompanhada de náuseas e vômitos, é um sintoma de pancreatite.

Uma pessoa com esse sintoma deve procurar atendimento médico imediato. Se o diagnóstico de pancreatite for confirmado, o uso da caneta emagrecedora deve ser interrompido.

O médico responsável pelo tratamento da pancreatite é o gastroenterologista.

A Anvisa pediu que efeitos adversos do uso de canetas emagrecedoras sejam registrados no VigiMed, o que contribui para o monitoramento contínuo da segurança desses medicamentos, que estão há pouco mais de cinco anos no mercado brasileiro.

O que diz a Novo Nordisk

“A segurança dos pacientes é uma prioridade para a Novo Nordisk, e a companhia leva muito a sério todos os relatos de eventos adversos associados ao uso de seus medicamentos. Trabalhamos em estreita colaboração com autoridades e órgãos regulatórios em todo o mundo para monitorar continuamente o perfil de segurança de nossos produtos, incluindo casos de uso indevido e sem prescrição médica. Além disso, operamos canais ativos de denúncia e monitoramento global para coibir práticas irregulares e assegurar a proteção da saúde da população.

Vários fatores de risco estão implicados no desenvolvimento de pancreatite, incluindo diabetes e obesidade. Atualmente, existe uma advertência de classe para todas as terapias baseadas em incretina (ou seja, agonistas do receptor GLP-1, agonistas duais GIP/GLP-1 e inibidores de DPP-4) referente ao risco de pancreatite. A pancreatite aguda está incluída como uma reação adversa a medicamentos (RAM) nas bulas de todos os produtos GLP-1 RA comercializados, incluindo Ozempic®, Rybelsus® e Wegovy®, Victoza® e Saxenda®. Este tema está explicado em bula na seção “Quais males este medicamento pode me causar?”. Importante ressaltar que o perfil de segurança dos medicamentos permanece inalterado e segue em contínuo acompanhamento.

Nos programas clínicos de fase 3 (SUSTAIN, PIONEER, STEP), a frequência e a proporção de participantes que apresentaram pancreatite confirmada foram similares entre semaglutida e comparador. A maioria dos eventos foi classificada como pancreatite aguda leve. Os pacientes devem ser informados sobre os sintomas característicos e orientados a descontinuar o tratamento com semaglutida ou liraglutida caso haja suspeita de pancreatite, assim como sugere-se ter cautela em pacientes com histórico de pancreatite prévia.

Os medicamentos devem ser utilizados exclusivamente conforme as indicações aprovadas em bula e sob prescrição, com acompanhamento de profissional habilitado. Além disso, a compra dos medicamentos deve ser feita em estabelecimentos credenciados pela ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária). O órgão tem feito um trabalho essencial ao alertar sobre os riscos do uso indiscriminado e fora das indicações aprovadas em bula, sem acompanhamento médico ou com medicamentos irregulares e falsificados. Cabe reforçar ainda que os casos relatados pela ANVISA seguem em investigação, sem relação confirmada de causalidade com o uso de medicamentos GLP-1.

Há mais de 100 anos a Novo Nordisk desenvolve inovações para melhorar a qualidade de vida das pessoas com segurança e robustez científica a partir de estudos clínicos. A molécula semaglutida foi avaliada em programas robustos de desenvolvimento clínico com mais de 54.000 pacientes expostos no mundo todo e a exposição pós comercialização é superior a 33 milhões de pacientes ao ano.”