O que é a ilha de Diego Garcia, alvo do Irã

O que é a ilha de Diego Garcia, alvo do Irã

"ASituada em um arquipélago remoto no Oceano Índico, território abriga base militar estratégica britânica operada pelos EUA. Lugar foi alvo de mísseis balísticos iranianos.O Irã lançou dois mísseis balísticos contra Diego Garcia, uma ilha no Oceano Índico que abriga uma base militar estratégica do Reino Unido e dos Estados Unidos. A informação foi divulgada nesta sexta-feira (20/03) pelo jornal americano The Wall Street Journal e, depois, confirmada pela agência de notícias AFP.

Nenhum dos dois mísseis lançados em direção à base, localizada a cerca de 4 mil quilômetros do território iraniano, atingiu o alvo, segundo a publicação, baseada em informações de diversos oficiais americanos.

Situada em uma ilha remota no Arquipélago de Chagos (ou Ilhas de Chagos), a base de Diego Garcia, na ilha de mesmo nome, a maior do arquipélago, é uma das duas bases militares que o Reino Unido autorizou os Estados Unidos a usar para "operações defensivas direcionadas contra o Irã".

Base estratégica

Trata-se de uma base estratégica onde estão estacionados submarinos nucleares, bombardeiros e destróieres.

Os sete atóis de Chagos, com mais de 60 ilhas, ficam no Oceano Índico, 500 quilômetros ao sul das Maldivas e a meio caminho entre a África e a Indonésia, com cerca de 4 mil pessoas ali estacionadas.

As ilhas estiveram sob controle britânico desde 1814, quando foram cedidas pela França.

No final da década de 1960 e na década de 1970, o Reino Unido deslocou à força até 2 mil chagossianos nativos para que os militares americanos pudessem construir a base no atol de Diego Garcia, mas concedeu a soberania à antiga colônia de Maurício.

Nos últimos anos, as críticas aumentaram em relação ao controle britânico do arquipélago e à forma como o país deslocou à força a população local. As Nações Unidas e o Tribunal Internacional de Justiça (TIJ) instaram o Reino Unido a pôr fim à sua "administração colonial" das ilhas e a transferir a soberania para a República de Maurício – país insular localizado ao leste de Madagascar que hoje é independente.

Em maio de 2025, o governo assinou um acordo para devolver a soberania sobre o Arquipélago de Chagos à República de Maurício, após longas negociações.

Arrendamento

O Reino Unido concordou em pagar a Maurício anualmente 101 milhões de libras esterlinas (R$ 716 milhões) durante os 99 anos de duração do contrato de arrendamento da base de Diego Garcia.

O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, afirmou que a base, operada por forças dos EUA, é crucial para o contraterrorismo e inteligência britânicos, uma "base da nossa segurança em casa".

"Ao concordarmos com este acordo agora estamos garantindo proteções fortes – inclusive contra influências malignas – que permitirão que a base opere no próximo século, ajudando a nos manter seguros por gerações", disse Starmer a repórteres em um quartel militar britânico em Northwood, perto de Londres.

Segundo ele, havia risco de o Reino Unido perder a base militar sem qualquer compensação, pois Maurício provavelmente venceria uma reivindicação judicial pelo controle do território ultramarino. Com o pacto, porém, a base permaneceu sob comando britânico e americano.

O acordo foi criticado por muitos políticos da oposição no Reino Unido, que dizem que ceder as ilhas as coloca em risco de interferência da China e da Rússia.

Alguns dos deslocados das Ilhas Chagos e seus descendentes também contestaram o acordo, dizendo que não foram consultados e que ele os deixa incertos sobre se algum dia poderão retornar à sua terra natal.

Inicialmente, o governo dos EUA acolheu bem o acordo, mas em janeiro o presidente Donald Trump mudou de ideia, chamando-o de "um ato de grande estupidez".

A recusa inicial de Starmer em permitir que os EUA atacassem o Irã a partir de Diego Garcia irritou ainda mais Trump, que disse no início deste mês que "o Reino Unido tem sido muito, muito pouco cooperativo com aquela ilha estúpida que eles têm".

A aprovação do acordo entre o Reino Unido e Maurício pelo Parlamento britânico foi suspensa até que o apoio dos EUA seja recuperado, travando a implementação e a ratificação formal do pacto.

Base de ataques no Iêmen e Afeganistão

Abrigando cerca de 2,5 mil militares, em sua maioria americanos, a base apoiou operações militares dos EUA do Vietnã ao Iraque e alvos do Talibã e Al Qaeda no Afeganistão.

Operações recentes lançadas de Diego Garcia incluem bombardeios contra alvos houthi no Iêmen em 2024 e 2025, desdobramentos de ajuda humanitária para Gaza.

Os EUA descreveram a base de Diego Garcia como "plataforma praticamente indispensável" para operações de segurança no Oriente Médio, Sul da Ásia e Leste da África.

Em 2008, os EUA reconheceram que ela também havia sido usada para voos clandestinos de extradição de suspeitos de terrorismo.

Londres no início recusou uso para ataques

O Reino Unido inicialmente se recusou a permitir que a base fosse usada para ataques de EUA e Israel contra o Irã. Mas, depois que o Irã atacou seus vizinhos, disse que os bombardeiros americanos poderiam usar a Diego Garcia e outra base britânica para atacar locais de mísseis iranianos.

Na sexta-feira, o governo britânico disse que isso inclui locais usados ​​para atacar navios no Estreito de Ormuz.

O governo britânico insiste que as bases britânicas só podem ser usadas para "operações defensivas específicas e limitadas". Mas o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, disse na plataforma X que Starmer "está colocando vidas britânicas em perigo ao permitir que bases do Reino Unido sejam usadas para agressões contra o Irã".

md (AP, Reuters, AFP, EFE)