Semanal

O que devemos aprender com a falha do WhatsApp

O que devemos aprender com a falha do WhatsApp

Algumas redes sociais saíram do ar nesta segunda-feira (4). Claro que não todas elas, mas as principais, que movem as engrenagens de uma vida ativamente online: Instagram, Facebook e WhatsApp. Grande parte de seus usuários migraram para a rede vizinha, o Twitter, para reclamar da queda – e desconfio que essas pessoas também entraram e saíram diversas vezes de seus aplicativos imaginando se tratar de uma falha de rede.

A verdade é que entregamos nossa vida de mão-beijada para esses aplicativos. Entregamos a eles tudo o que sempre quiseram. Deixamo-nos que controlassem nossos passos, e não o contrário. Entramos em colapso quando eles tiram um tempo, trazendo à luz um pouco do que era a vida antes de suas existências. São nesses momentos de susto que se percebe o caos, a empacar engrenagens que deveriam funcionar normalmente – com ou sem tecnologia.

O WhatsApp foi chegando de mansinho, possibilitando uma conversa aqui e outra ali. Hoje em dia, é ele que guarda memórias infinitas, mensagens com e sem resposta, intimidades com pessoas que já não mais fazem parte de nossas vidas e trabalho, muito trabalho. O status tornou-se, muitas vezes, reflexo de rendimento.

As mensagens ganharam uma urgência que nunca antes tiveram – o que era importante merecia, ao menos, uma ligação, hoje em dia tudo se resume a poucas palavras e áudios acelerados. Mas aceitamos tudo. Como quem assina um contrato sem ler nenhuma linha.

O Instagram veio como uma revolução. A vida poderia ficar mais perto. Se antes fãs precisavam assistir em looping os poucos vídeos cotidianos que seus ídolos deixavam ao público, agora cada detalhe de um astro mundial está registrado em sua conta no Instagram. E o que parecia aproximar, distanciou.

Afinal, o personagem ganhou mais espaço, enfraqueceu, por assim dizer, a vida real. Os vídeos caseiros ficaram para depois. Sobre o Facebook, deixo os comentários para depois. Afinal, os jovens já não se importam com ele – e os maduros que ainda mantêm os seus perfis por lá o usam uma vez ao dia. A pane não os afetou.

Esse respiro sem redes sociais nos deveria fazer um grande favor: abrir espaço para a reflexão. Será que estamos indo no caminho certo? Será que é isso mesmo a vida? Acreditar que todas as mensagens são urgentes – e nos obrigar a respondê-las em minutos quando, na verdade, só queremos nos preocupar com outra coisa? Seria mesmo esse o final, com os aplicativos tomando posse de nossas vontades assim, de mão-beijada? Assinar contratos sem antes ler todas as linhas? A chance de dar meia volta e tomar as rédeas está aqui – e isso, depois de conquistado, não sairá do ar ou entrará em pane.