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“O PT errou muito e precisa se reinventar, reciclar e abrir diálogos”, diz Camilo Santana em live da IstoÉ

“O PT errou muito e precisa se reinventar, reciclar e abrir diálogos”, diz Camilo Santana em live da IstoÉ

O governador do Ceará, Camilo Santana (PT) participou da live de Istoé na sexta-feira (10). Em entrevista ao diretor de redação da revista, Germano Oliveira, ele falou sobre a crise sanitária que assola o país e muito gravemente os cearenses.

O Ceará é o 2° estado com maior número de casos de Covid-19 no Brasil, com mais de 131 mil testes positivos, com cerca de sete mil mortos, até o momento, e ultrapassou o Rio de Janeiro no sábado (06).

“Quanto mais se testa, maior é o número de casos confirmados. Já testamos 340 mil pessoas no estado. Um dos grandes problemas aqui é que o governo federal não nos autorizou a fechar os aeroportos em fevereiro, quando sabíamos que o vírus chegaria no país pelos aeroportos. O mundo inteiro fez isso, mas o Brasil não adotou essa política. O Estado tinha 46 voos internacionais por semana. Tive que entrar na justiça para criar uma barreira sanitária”, afirma o governador.

Segundo o governador, outro ponto importante para o Ceará ter se tornado o epicentro da pandemia no norte e nordeste é que a capital, Fortaleza, e a cidade com a maior densidade populacional do país – cada km² de área urbana é ocupado por mais de 8 mil pessoas.

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“A pandemia fez a gente ampliar a regionalização da saúde. Inauguramos 3000 leitos, 726 desses são UTIs para tratamento do Covid-19. Antes da crise sanitária, só existia leitos de alta complexidade na cidade de Fortaleza. A partir de agora todas as regiões do estado existem hospitais com infraestrutura e 90% das necessidades de saúde da população será resolvida na própria região em que vive. Essa pandemia nos fez acelerar a implantação de UTIs”, complementa.

Santana é engenheiro agrônomo, professor e ocupa a principal cadeira do Palácio da Abolição, sede do poder local, pelo segundo mandato, o governador disse na entrevista que para enfrentar a crise econômica e financeira no pós-pandemia, apresentou um pacote de 23 medidas tributárias que buscam apoiar as empresas atingidas pela crise decorrente da pandemia de Covid-19 e estimular a economia do Ceará.

“Se as empresas não se recuperarem, o estado também perde. Tem que ser uma coisa de mão dupla e também de desburocratização”, explica.

Para o governador, o papel do poder público nesse momento de retomada do crescimento vai ser fundamental para sobrevivência de negócios e empregos.

“O país precisará de uma política forte de investimentos públicos para aquecer a economia e manter e gerar empregos. Vamos ter um retorno gradual até voltar à normalidade da economia. Muitas mudanças continuarão ocorrendo em vários setores da economia, além de mudanças também na cultura das empresas. Então, se esse processo de recuperação for se dar até o final do ano, no mínimo, é importante traçar uma política mais planejada, mais conectada, em parceria com setores da economia. Sou da geração que só acredito no sucesso de qualquer política pública se ela for planejada”, disse.

“O Ceará é uma referência na área da educação. No último Ideb, das 100 melhores escolas públicas do ensino fundamental do país 82 são cearense”, completa.

Quando a pauta é Segurança, o governador avalia que a segurança pública precisa ser nacionalmente pensada, já que o crime ultrapassou as fronteiras dos estados.

“Ela se nacionalizou. A responsabilidade para combater o tráfico de drogas não é só dos estados, mas também do governo federal”.

O estado do Ceará atravessou uma das mais graves crises de seguranças do país no ano passado, inclusive com motins de policiais, à época 370 pessoas morreram em 13 dias . “Foi uma movimentação antes de mais nada política”, afirma Santana.

“É preciso discutir no Brasil inteiro a partidarização dentro da polícia. Policial não pode fazer motim é contra a lei. A constituição deu ao policial direito ter uma arma na mão para defender o cidadão. Eles fazem esses atos porque são aliciados e depois perdoados”, critica.

“Eu não admito fazer anistia aqui no meu estado. Porque para mim esse grupo da polícia não representa a polícia do Estado do Ceará. O Congresso tem que mudar a Lei e não permitir que policiais ingressem na vida partidária. Quer fazer política, se afasta da polícia”, acrescenta.

Camilo Santana fez uma análise sobre a política nacional e em especial a do PT e da família Gomes que atualmente, bradam contra o partido dele. “O Cid é um homem público extraordinário, um grande parceiro e aliado aqui no Estado do Ceará. Eu defendi na última eleição, já que o ex-presidente Lula não poderia ser candidato, que o PT apoiasse o Ciro Gomes. Disse publicamente que a chapa deveria ser Ciro e Haddad, até porque considerava que era um projeto que pudesse retomar o avanço do conhecimento, da retomada dos direitos sociais e infelizmente não foi possível. Mas eu vou continuar acreditando que os partidos PT e PDT têm muito mais convergências do que divergências. Continuarei defendendo aproximação e que possamos caminhar juntos, não só aqui no Ceará, mas também no Brasil”, avalia.

“Eu não abro mão de debater a construção de uma aliança. Lutarei até o último momento. Tem que deixar as mágoas a as questões individuais de lado e pensar na união do país, no bem do Brasil. Ciro é uma figura pública extraordinária. Um cara de uma inteligência fora do comum. Uma pessoa que tem condições de contribuir muito para esse país”, considera

“O ex-presidente Lula, para mim, foi o maior de todos os presidentes. Então, eu acho que os dois precisam conversar, precisam dialogar. O único caminho que nós temos para transformar o Brasil e melhorar a vida das pessoas é através da política. Temos que dialogar com todos os setores do Brasil, da centro esquerda à esquerda e progressistas que querem construir um projeto de país. O PT precisa se reinventar, reciclar, abrir diálogo com outros segmentos e fazer sua autocrítica. Isso faz parte da vida pública de qualquer partido ou de qualquer homem público. O PT errou muito nesse tempo todo”, avalia Camilo Santana.

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