O problema do Brasil é o “achismo”

É difícil apontar o problema mais sério que o Brasil enfrenta hoje. Temos um ministro da Educação que despreza professores, um ministro do Meio Ambiente que é contra a natureza e um ministro da Economia que está mais preocupado com o próprio ego do que com as pessoas. Para completar, temos um presidente que odeia 70% dos brasileiros. Em meio à pandemia, somos vítimas de outro vírus: a mania de “achismo” que tomou conta do País.
No Brasil do século 21, ninguém quer saber de nada. Saber, afinal, dá trabalho. É preciso passar tempo lendo, estudando, se aprofundando. Achar é bem mais fácil. Não importa o assunto, temos uma horda de especialistas que acha coisas a respeito de temas sobre os quais não têm a menor ideia. A eles, infelizmente, não basta achar: querem que todos ouçam o que eles acham.

+ SP deve receber cinco milhões de doses de vacina chinesa em outubro, diz Doria

Para achar, não é preciso levar em conta informações existentes ou fatos reais. Basta achar. Se alguém apresenta uma verdade incontestável, há sempre a possibilidade de dizer “e daí?” e sair andando. Se no passado éramos 200 milhões de técnicos de futebol, hoje evoluímos: somos 200 milhões de infectologistas, 200 milhões de juristas e 200 milhões de cientistas. Tudo ao mesmo tempo. Com uma quantidade tão grande de gente preparada, fica difícil entender por que nossos indicadores na educação continuam péssimos. Os rankings internacionais deveriam incluir apenas questões opinativas. Acho que seríamos muito bem avaliados. Acho, mas não sei.

“Por que um cientista sabe mais que o meu vizinho do grupo de Whatsapp?” Resumindo, porque o cientista passou a vida em um laboratório e o seu vizinho viu um vídeo de três minutos no Youtube. Mas é difícil explicar essa lógica a alguém que acha coisas. Quem sabe baseia o conhecimento em informações reais, enquanto quem acha baseia o conhecimento em… bem, em nada. “A internet deu voz aos idiotas”, afirmou Umberto Eco. E como são muitos, urram até serem ouvidos. São gritos totalmente desconexos, mas o volume é alto para burro.

O problema com a realidade é que os fatos não dependem das opiniões. É possível divergir sobre a interpretação deles e até sobre suas consequências. Mas o bom senso impede que se duvide dos fatos em si. “A Terra é redonda”, você diz. “Não é!”, discordam. E acaba aí. Temos que mudar essa maneira de pensar. Enquanto isso, seguimos lutando para ouvir quem sabe em meio ao barulho de quem acha. Algum dia a gente aprende. Até lá, vamos achando que somos um País.

No Brasil de hoje, ninguém quer saber de nada. Saber, afinal, dá trabalho. É preciso ler, estudar, se aprofundar. Achar é bem mais fácil

 

Veja também

+Após ficar internada, mulher descobre traição da mãe com seu marido: ‘Agora estão casados’

+ Por decisão judicial, Ciro Gomes tem imóvel penhorado em processo com Collor

+ Jovem é suspeita de matar namorado com agulha de narguilé durante briga por pastel

+ Baleia jubarte consegue escapar de rio cheio de crocodilos na Austrália

+ MasterChef: mesmo desempregado, campeão decide doar prêmio

+ Tubarão é capturado no MA com restos de jovens desaparecidos no estômago

+ 12 razões que podem fazer você menstruar duas vezes no mês

+ Arqueólogo leva 36 anos para montar maquete precisa da Roma Antiga

+ Senado aprova alterações no Código de Trânsito Brasileiro

+ Por que não consigo emagrecer? 7 possíveis razões

+ O que é pior para o seu corpo: açúcar ou sal?

+As 10 picapes diesel mais econômicas do Brasil

+ Cozinheira desiste do Top Chef no 3º episódio e choca jurados

+ Arrotar muito pode ser algum problema de saúde?

+ Educar é mais importante do que colecionar

+ Pragas, pestes, epidemias e pandemias na arte contemporânea


Mais posts

Ver mais

Copyright © 2020 - Editora Três
Todos os direitos reservados.

Nota de esclarecimento A Três Comércio de Publicaçõs Ltda. (EDITORA TRÊS) vem informar aos seus consumidores que não realiza cobranças por telefone e que também não oferece cancelamento do contrato de assinatura de revistas mediante o pagamento de qualquer valor. Tampouco autoriza terceiros a fazê-lo. A Editora Três é vítima e não se responsabiliza por tais mensagens e cobranças, informando aos seus clientes que todas as medidas cabíveis foram tomadas, inclusive criminais, para apuração das responsabilidades.