Edição nº2590 16/08 Ver edições anteriores

O primeiro mês do governo Bolsonaro

O governo Bolsonaro mal começou. Julgá-lo agora seria por demais precipitado, mas é preciso. Chegando próximo ao final do seu primeiro mês já dá para vermos algumas de suas sinalizações e para onde apontam. Começando pelas boas notícias, Bolsonaro cumpriu sua promessa eleitoral de alijar os partidos políticos da formação de seu ministério. Sempre desconfiei que esta fosse apenas uma promessa de campanha que seria rapidamente descumprida. Felizmente, eu estava enganado. Seu ministério foi formado por critérios técnicos – como nos casos de Paulo Guedes e Sergio Moro – ou indicações de bancadas temáticas do Congresso – umas afeitas ao próprio assunto do ministério –, como na Agricultura e na Saúde ou – mais questionáveis – na Educação e nas Relações Exteriores.

Bolsonaro deu vários sinais de que pretende governar para todos os brasileiros e reconheceu suas limitações em relação a vários assuntos, o que demarca o risco de decisões atabalhoadas. Sob outros aspectos, o governo vem deixando a desejar. Sua comunicação tem sido bastante confusa. Com frequência, um ministro e até o próprio presidente Bolsonaro acabam desmentidos. Isto enfraquece a credibilidade dos anúncios, reduzindo sua capacidade de gerar expectativas positivas. A participação do governo e do próprio Bolsonaro no Fórum Econômico Mundial, em Davos, Suíça, onde se esperava uma posição de protagonismo do Brasil, foi decepcionante.

Além disso, a Reforma da Previdência não foi incluída entre as prioridades para estes primeiros 100 dias. Esta seria a mais importante medida para garantir a estabilidade e o crescimento da economia brasileira nos próximos anos. Para completar, as acusações que atingem seu filho Flávio têm deixado o presidente em uma situação desconfortável.

O governo mal começou, felizmente. Ainda dá tempo de consertar tudo isso, mas é bom fazê-lo antes que os erros possam ter consequências mais graves. Em fevereiro, o Legislativo voltará a funcionar, as cobranças dos governadores aumentarão e as expectativas de investidores e empresários para com os avanços da Reforma da Previdência se tornarão prementes. Os últimos indicadores de crescimento econômico, geração de empregos com carteira assinada e inflação têm sido bons e a bolsa de valores bate recordes. Esperemos que o Bolsonaro corrija seus erros e que isto seja apenas o presságio de resultados melhores ao longo deste e dos próximos anos.

O governo mal começou. Ainda dá tempo de consertar, mas é bom fazê-lo antes que os erros tenham consequências mais graves

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Ricardo Amorim

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