O preço da polarização

Jair Bolsonaro transformou seus primeiros meses de gestão numa campanha eleitoral permanente. Nada indica que vá mudar. Precisa deste clima bélico. Foi assim que passou 28 anos na Câmara dos Deputados. Como projeto pessoal é perfeito. O problema é que ele agora ocupa o Palácio do Planalto. E o Brasil passa pela crise econômica mais grave da história republicana.

O presidente não gosta das tarefas administrativas e políticas inerentes ao cargo. É pouco afeito ao trabalho, não lê os projetos, desconhece as questões estruturais que impedem a retomada econômica, busca explicações simplistas para problemas complexos, ignora a dinâmica do mercado internacional, bem como as revoluções tecnológicas e o novo padrão de desenvolvimento mundial. Despreza o conhecimento histórico e desdenha dos artistas e intelectuais. Prefere os salamaleques do poder, as benesses, os privilégios. E como não tem uma equipe que consiga manter em bom funcionamento a máquina governamental — além dos péssimos resultados especialmente na área econômica — tem de, a todo o momento, desviar a atenção do País para questões menores. Ora ataca gratuitamente Chico Buarque, ora o alvo passa a ser o seu próprio partido, o PSL. Isto quando não resolve mirar nos governadores dos dois estados politicamente mais importantes da federação: São Paulo e Rio de Janeiro.

Despreparado, sem experiência administrativa, com pífia
base partidária, Bolsonaro desconhece os objetivos
que pretende atingir na sua gestão

Despreparado, sem experiência administrativa, com pífia base partidária, desconhece os objetivos que pretende atingir na sua gestão. Não tem um projeto de governo. Mesmo assim — e não é de hoje — proclama aos quatro ventos que pretende ser candidato à reeleição. Isto faz com que tenha de manter um clima de constante polarização. Desta forma evita o debate no campo das ideias e despolitiza o enfrentamento com as oposições. Esta estratégia tem prazo de validade. Dá certo fôlego no início. Mesmo assim as pesquisas mostram que a receptividade popular tem sido negativa: 55% dos brasileiros não confiam no presidente — isto em apenas nove meses de governo, caso único desde a redemocratização.

A polarização cobra um alto preço. Empobrece o debate político. Tenciona
o País. A insistência permanente no confronto, ao invés de buscar a formação de uma sólida maioria parlamentar com um programa reformista, satisfaz apenas a minoria neofascista dos bolsonaristas de raiz, mas não conduz à governabilidade. E neste embate o Brasil perde. Já os extremistas ganham. É tudo o que Bolsonaro e Lula desejam: tornar 2022 uma repetição de 2018.


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