Edição nº2526 18/05 Ver edições anteriores

O Porto de Wagner

RISCO AMBIENTAL Segundo o Ibama,
a obra destrói trecho
da Mata Atlântica (Crédito: Raul Spinass)

Além da denúncia de superfaturamento das obras do estádio da Fonte Nova, outro rolo envolve o ex-governador Jaques Wagner e o PT da Bahia. Trata-se do controverso projeto do Porto Sul, próximo à cidade de Ilhéus, que já possui um porto desde o início do século passado. O sucessor de Wagner, Rui Costa (PT), tenta dar início às obras, que vêm sendo investigadas pelo Ministério Público. A última negociação envolve um consórcio chinês, que atuaria em conjunto com a empresa Bahia Mineração (Bamin). A autorização para a construção do porto passou por cima de todas as avaliações técnicas do Ibama, que foram contrárias ao projeto. A obra, cujo custo ultrapassa R$ 6 bilhões, destrói, segundo o Ibama, cerca de 500 hectares de Mata Atlântica.

A mina

O Porto Sul tem por objetivo facilitar o escoamento da exploração de mina de ferro da Bamim, subsidiária de uma empresa do Casaquistão chamada Eurasian Natural Resources Corporation. A empresa fala em uma produção de 100 milhões de toneladas em 25 anos. Mas alguns especialistas divergem dessa capacidade, alegando que seria muito menor.

Ibama

Para esses especialistas, a mina só teria mesmo capacidade de produção por 15 anos, o que não justificaria
o investimento. Em 2014, três meses antes de deixar o cargo, apesar de todas as negativas do Ibama, Jaques Wagner autorizou a obra, que, além do próprio porto, inclui uma ferrovia (que já está em construção), que corta área de Mata Atlântica.

Rápidas

* O presidente do Sebrae, Afif Domingos, fez um acerto com o presidente do PSD, Gilberto Kassab: tem até junho para mostrar que sua candidatura à Presidência tem viabilidade. Até lá, diz Afif, o PSD define se vai com ele ou se apóia o candidato do PSDB, Geraldo Alckmin.

* O PSD era também o partido de Henrique Meirelles, que não apostou na sua candidatura à Presidência. Assim, ele foi tentar a sorte no MDB. Opção nada fácil, já que disputa a pretensão com o presidente Michel Temer.

* A denúncia da procuradora-geral da República, Raquel Dodge, contra o deputado Jair Bolsonaro por crime de racismo pode fazer com que a Justiça mexa de novo no tabuleiro eleitoral. Há discussão sobre se uma condenação poderia tirá-lo da disputa presidencial.

* Em princípio, racismo não está entre os crimes previstos na Lei da Ficha Limpa, que pode tornar um candidato inelegível. Mas o STF é um tribunal colegiado e é a última instância da Justiça.

Álvaro e Alckmin

Edilson Rodrigues

O senador Álvaro Dias, candidato à Presidência pelo Podemos, está recebendo sondagens de setores do PSDB. As conversas são no sentido de convencê-lo a aceitar retirar sua candidatura e se tornar vice do tucano Geraldo Alckmin. Álvaro tem tirado votos de Alckmin nos estados do Sul, onde o PSDB sempre teve bom desempenho. Álvaro recusou a oferta e tem intensificado sua campanha.

Retrato falado

“O PT deve ao país um pedido de silêncio” (Crédito:Ruy Baron)

O sociólogo Paulo Delgado pertenceu à bancada de deputados federais do PT na Assembleia Constituinte. Em 2010, afastou-se do partido. É hoje um crítico dos rumos do PT, que culminaram com a prisão de seu principal líder, Lula. Para ele, é absurdo que o partido não reconheça seus erros e fique insistindo na tentativa de hegemonismo e de culto à personalidade de Lula, que não mais se sustenta. “O PT devia parar para refletir e sair um pouco de cena”, avalia ele.

Toma lá dá cá

Edivandir Paiva, presidente aa Associação dos Delegados da PF

A Polícia Federal é umas das poucas instituições públicas que têm a confiança da população. Sua maior virtude é a produtividade e a baixa corrupção. A que se deve isso?

Temos uma Corregedoria forte, que não hesita em cortar na própria carne. Na Operação Monte Carlo, por exemplo, foram exonerados dois delegados. Mas é preciso garantir nossa autonomia. Não dá para a PF ficar condicionada ao humor do governo da vez. Não queremos ficar de fora do controle da sociedade. Mas que esse controle não seja político.

Qual o déficit de delegados na PF?

Temos uma defasagem de 680 delegados. Mesmo com a nomeação de 150 novos, ainda haverá a necessidade de se ter mais 530. E 500 é a quantidade de vagas que o governo autorizou para o concurso que deve ser realizado nos próximos meses.
Isso para cinco categorias.

Como o senhor analisa a decisão do Ministério Público Federal de não aceitar acordos de delação premiada celebrados pela PF?
O MPF é contra porque acha que a PF vai controlar a investigação. Ainda não ultrapassamos essas disputas.

Rocha e Bolsonaro

Um eminente advogado de São Paulo recebeu autorização para negociar a ida do empresário Flávio Rocha (PRB) como candidato a vice na chapa do deputado Jair Bolsonaro (PSL). Líder nas pesquisas de intenção de votos, Bolsonaro já avisou que não vai participar de nenhum debate na TV, à exceção do último.

Divulgação

Sabotagem?

A família do ex-governador de Pernambuco Eduardo Campos (PSB), morto em um acidente aéreo durante a campanha presidencial de 2014, protocolou uma petição na Polícia Federal em que pede a reabertura de investigações e fala da real possibilidade de sabotagem ao avião, que caiu na cidade de Santos. ISTOÉ obteve cópia das petições.

Flavio Alves

Perícia particular

Uma perícia particular, contratada pelo irmão de Eduardo, Antônio Campos, apontou que o sensor de velocidade da aeronave teria sido desligado intencionalmente. Ele também vai comunicar os fatos ao MPF; ao Juízo onde tramita a ação de produção de prova; ao ministro da Justiça, Torquato Jardim, e à procuradora-geral da República, Raquel Dodge.

Bronca de Cármem

Divulgação

A presidente do STF e do Conselho Nacional de Justiça, Cármen Lúcia, não poupou Expedito Ferreira de Souza, do TJ do Rio Grande do Norte. Ele concedeu a si mesmo e aos outros desembargadores um benefício retroativo que pode chegar a R$ 365 mil. Na segunda-feira 16, Cármen Lúcia chamou Expedito para dar-lhe uma descompostura.


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