O poder dos gatos

Crédito: Divulgação

(Crédito: Divulgação)

Escuto uma música na rádio, é uma senhora de voz doce e um pouco áspera que canta em inglês. Ela fala que acredita em todas as coisas que digo; que o que vai chegar a seguir é sempre melhor do que o que aconteceu antes. Que o futuro é obviamente melhor que qualquer outro tempo, inclusive o passado. Aí eu escuto de novo, encho o peito de ar de suspiro e exalo. Amei!

Ouço repetidamente a faixa e continuo sentindo o pêndulo da sua voz empurrando a agulha do tempo para o lado da sorte.

É melhor você vir— ela canta — venha. É melhor vir até mim. Corra, corra, corra é melhor correr até mim. É sempre uma questão de fé.

A canção em inglês é cantada por uma mulher — se chama Cat Power — poderosa e alternativa, que convoca na força crua da sua voz o poder ancestral dos gatos. Tem umas poucas notas de piano que acompanham uma prece simples que dá vontade de acompanhar. O que vem depois… é sempre melhor.

Esta fé, que tanto é feita de músicas poderosas e cantoras felinas, como da nossa vontade cotidiana de mudar, é a maior alegria que o ser humano pode sentir. É nos momentos mais difíceis, como este que todos atravessamos, que teremos que acreditar que o futuro — sendo a nossa única certeza — é também a melhor.

+ Menina engasga ao comer máscara dentro de nugget do McDonald’s

Neste parágrafo caberiam agora todas as notícias desta semana — as verdadeiras e as falsas — todos os grandes debates da CNN, seus dislates e disparates; muitos essetêefes bombardeados por planaltos queirosianos (olha a letra minúscula!) e toda a bateria de zeros. Os uns e “les autres”.

Neste outro encaixariam luvisticamente (olha a palavra nova!) presidentes por fim infetados, sobretudo pelo medo de ser empichados, cloroquinas guaranis, desmatamentos civis e todos os comportamentos vis a vis semeados pela impotência com que a gente vê o Brasil se enfraquecer diariamente aos olhos do mundo.

E neste aqui dava até para escrever alguns nomes atuais de heróis nacionais, como por exemplo seria, um Mancha Negra de Atibaia ou Homem de Lata em Curitiba! Nem vem que não tem Dorothy, o nosso chapeleiro é muito mais louco!!

Mas o que eu prefiro, é este último paragrafo onde apenas regresso à voz da cantora que ama os gatos e o piano e as suas caudas.

Encostado na parede branca subo a mão à altura da minha cabeça e o chamo pelo seu nome antigo (que acabei de lhe dar) — Senhor Smilee Rajaah!!

E ele se vira, todo pose, para a fotografia que o vai fazer imortal. Me agradece tonteando a cabeça me oferecendo a face a uma carícia impossível.

Tudo cabe numa canção de menos de três minutos. Até o mundo inteiro.

Veja também

+ Gésio Amadeu, o Chefe Chico de Chiquititas, morre após contrair Covid-19

+ Funcionário do Burger King é morto por causa de demora em pedido

+ Seu cabelo revela o que você come (e seu nível socioeconômico)

+ Cozinheira desiste do Top Chef no 3º episódio e choca jurados

+ Governo estuda estender socorro até o fim de 2020

+ Bolsonaro veta indenização a profissionais de saúde incapacitados pela covid-19

+ Nascidos em maio recebem a 4ª parcela do auxílio na quarta-feira (05)

+ Tubarão-martelo morde foil de Michel Bourez no Tahiti. VÍDEO

+ Arrotar muito pode ser algum problema de saúde?


Sobre o autor

José Manuel Diogo é autor, colunista, empreendedor e key note speaker; especialista internacional em media intelligence,  gestão de informações, comunicação estratégica e lobby. Diretor do Global Media Group e membro do Observatório Político Português e da Câmara de Comércio e Indústria Luso Brasileira. Colunista regular na imprensa portuguesa há mais de 15 anos, mantém coluna no Jornal de Notícias e no Diário de Coimbra. É ainda autor do blog espumadosdias.com. Pai de dois filhos, vive sempre com um pé em cada lado do oceano Atlântico, entre São Paulo e Lisboa, Luanda, Londres e Amsterdã.


Mais posts

Ver mais

Copyright © 2020 - Editora Três
Todos os direitos reservados.

Nota de esclarecimento A Três Comércio de Publicaçõs Ltda. (EDITORA TRÊS) vem informar aos seus consumidores que não realiza cobranças por telefone e que também não oferece cancelamento do contrato de assinatura de revistas mediante o pagamento de qualquer valor. Tampouco autoriza terceiros a fazê-lo. A Editora Três é vítima e não se responsabiliza por tais mensagens e cobranças, informando aos seus clientes que todas as medidas cabíveis foram tomadas, inclusive criminais, para apuração das responsabilidades.