O pior da pandemia

O pior efeito da Covid-19 não é essa doença não ter cura. A pandemia até pode terminar mais cedo do que a gente pensa porque a vacina vai chegar mais depressa. Todos os cientistas do mundo estão atrás dela e os prazos técnicos e legais que normalmente se usam — 18 meses — não vão ser respeitados porque a vantagem de encontrar uma vacina é mais importante que qualquer registo de patente.

O pior efeito da pandemia não são as mortes, sempre trágicas individualmente, mas que em pouco tempo serão vistas apenas como estatística. Serão contabilizadas como antes a humanidade fez com todas as guerras, pragas e calamidades que o planeta já viveu. É apenas a História se escrevendo.

O pior da pandemia também não é o efeito sobre a economia porque como acontece em todas as crises, ela vai purgar o ambiente economico, acabando com empresas de práticas antigas e pouco eficientes e criando outras. Provavelmente a pandemia será até o maior catalisador de sempre da inovação empresarial. Novos negócios vão aparecer e outros se reinventar. Novas práticas de sustentabilidade, equidade e responsabilidade serão um novo padrão a seguir.

O Pior efeito da pandemia também não é ter todo mundo em home office. As práticas de trabalho remoto, estão causando uma verdadeira revolução nas práticas laborais. Na produtividade que aumenta pelo fato de cada trabalhador poupar em média umas três horas diárias em trânsito e poluição. E mais segurança cibernética se avizinha.

O pior da Pandemia também não é o afastamento social. Este isolamento não está separando as pessoas; ele
está criando novas formas de validação relacional. Os novos modos de comunicação interpessoal — vídeo chamadas e vídeo conferências, juntando grupos e equipes à distância — sendo utilizados genericamente e sem qualquer questionamento, estão provocando alterações profundas e perenes nos mecanismos de construção da confiança interpessoal e coporativa.

O pior efeito da pandemia é colateral, silencioso e não sabemos ainda como iremos lidar com ele. Ele se chama estresse pós-traumático e é o maior desafio que a humanidade tem pela frente.

Quando o povo sair à rua gritando liberdade, festejando a vitória da humanidade sobre o vírus, existirá um problema novo para resolver. Porque desta vez não serão apenas os soldados vindos do campo de batalha a ter pesadelos. Desta vez todos estaremos nos olhando sem saber como reagir à presença do outro, se é ou não seguro dar um beijo ou segurar na mão.

A maior vítima da pandemia será o amor.

O mais grave efeito da pandemia é colateral, silencioso, o estresse pós-traumático. Como iremos lidar com ele?

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Sobre o autor

José Manuel Diogo é autor, colunista, empreendedor e key note speaker; especialista internacional em media intelligence,  gestão de informações, comunicação estratégica e lobby. Diretor do Global Media Group e membro do Observatório Político Português e da Câmara de Comércio e Indústria Luso Brasileira. Colunista regular na imprensa portuguesa há mais de 15 anos, mantém coluna no Jornal de Notícias e no Diário de Coimbra. É ainda autor do blog espumadosdias.com. Pai de dois filhos, vive sempre com um pé em cada lado do oceano Atlântico, entre São Paulo e Lisboa, Luanda, Londres e Amsterdã.


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