Edição nº2544 21/09 Ver edições anteriores

O pior cenário

As nuvens ainda estão se movendo, mas, salvo algum furacão capaz de movimentá-las na velocidade da luz, o cenário da sucessão presidencial permite uma afirmação que me parece assustadora. Bolsonaro só poderá ganhar a eleição se for para o segundo turno junto com Fernando Haddad. Haddad só poderá ganhar a eleição se for para o segundo turno junto com Bolsonaro. E esse cenário, por enquanto bem provável, é o pior que poderia acontecer com o Brasil.

Pelo que pensa ou pela pouca capacidade de pensar, Bolsonaro poderá se converter em um presidente horroroso, tão despreparado quanto autoritário, e provavelmente não terminaria seu mandato, fazendo a crise nossa de cada dia crescer em progressão geométrica. Do ponto de vista pessoal, Haddad é bem melhor. Mais articulado e menos fanfarrão. No entanto, o que vem junto com ele já nos foi apresentado pela Lava Jato e traz na sua bagagem mais folha corrida do que currículo.

Provavelmente também seria um governo desastroso, com grande possibilidade de não chegar ao fim. O pior de tudo, porém, é que um segundo turno entre Bolsonaro e o PT certamente vai acirrar a divisão que hoje nocauteia o País. E seja qual for o resultado das urnas, o Brasil sairia do processo eleitoral mais dividido do que entrou.

Com um País dividido e comandado por líderes incapazes de buscar convergências, não há milagre capaz de gerar emprego, renda e desenvolvimento. A história, nossa e da humanidade, ensina que crises econômicas e sociais não se resolvem com xerifes, com armas de fogo, com populismo barato e nem com falsas narrativas. O momento exige unidade, o que não significa abrir mão de princípios, mas de buscar convergências e tirar o foco das divergências. Até agora, aqueles que segundo as pesquisas lideram a disputa, não se mostraram sensíveis e nem capazes de assumir posturas que possam unir o Brasil. Os que poderão construir isso ainda não despontaram como prováveis finalistas.

Nesses poucos dias que nos separam das urnas, caberá a nós, eleitores, mostrar que queremos um fim dessa divisão que desde 2014 só faz o Brasil caminhar para trás, aumentando o desemprego e a violência, e ferindo de morte a saúde e a educação. Quando jovem, ainda nos bancos da faculdade, aprendi que das urnas emana a “sabedoria” popular. Vamos refletir para colocar o saber acima da emoção na hora de votar.

Com Jair Bolsonaro e Fernando Haddad no segundo turno das eleições ao Palácio do Planalto, o Brasil ficará ainda mais dividido. E assim não se sai da crise


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