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O pesadelo criminal de Trump

Depois de deixar o cargo, o presidente americano terá que enfrentar diversas ações judiciais que envolvem lavagem de dinheiro e fraudes bancárias, fiscais e eleitorais. No limite, ele pode até ir para a cadeia

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CARA DE PAU Entre 2015 e 2016, ano em que foi eleito, o presidente pagou míseros US$ 750,00 de tributos: aversão a impostos (Crédito: Divulgação)

IMPOSTOS Trump tem dívidas milionárias relacionadas aos seus negócios imobiliários (Crédito:Divulgação)

Fora da Casa Branca, o presidente Donald Trump terá um futuro nebuloso e incontrolável. Seu maior problema será perder a imunidade contra processos criminais garantida pelo cargo. Graças a ela, Trump ainda não precisa se preocupar muito com os erros do passado. Mas a situação começa a mudar. Uma enxurrada de ações judiciais atualmente estancadas referentes à lavagem de dinheiro, obstrução de Justiça e a fraudes bancárias, fiscais e eleitorais deve atingi-lo depois que voltar a ser um cidadão comum. Ele tem dívidas gigantescas, é investigado por irregularidades na campanha eleitoral de 2016, tanto pelos pagamentos feitos para a atriz pornô Stormy Daniels, quanto pela suspeita de colaboração russa nas eleições. Ele também está sob a mira da Procuradoria-Geral do estado de Nova York por conta de consistentes suspeitas de sonegação. A blindagem aos seus negócios privados que ele conseguiu durante a presidência deve se transformar em um pesadelo criminal, que vai atazaná-lo a partir de janeiro do ano que vem, quando Joe Biden assume.

Embora ele negue qualquer irregularidade em seus negócios, uma reportagem do jornal The New York Times informou que, depois de deixar o governo, Trump terá de pagar cerca de US$ 300 milhões em quatro anos por causa de empréstimos feitos pelo seu grupo empresarial. Também deverá ser aprofundada a investigação de um perdão de dívidas do presidente de mais de US$ 287 milhões acumuladas desde 2010. Segundo seus registros de imposto de renda, a dívida está relacionada com a construção de um prédio de 92 andares em Chicago chamado de Trump International Hotel & Tower. A Procuradoria de Nova York diz que ele não pagou um tostão de impostos sobre os investimentos nessa construção. Honrar o pagamento de tributos, definitivamente, não é algo que agrada a Trump. O jornal noticiou também que em dez anos, no período entre 2000 e 2015, ele não pagou qualquer imposto. E entre 2015 e 2016, ano em que foi eleito, seu desembolso para a receita foi de míseros US$ 750,00.

Medo da prisão

Apesar da possibilidade de perdão por seus crimes federais — ele próprio pode se conceder um auto-perdão — sua situação judicial não será facilmente pacificada. O benefício presidencial do indulto não afeta os processos que correm em nível estadual. O ex-advogado particular e corretor de Trump, Michael Cohen, que escreveu um livro sobre o presidente, diz que Trump luta tanto para se manter no poder porque teme a prisão. “Trump precisava desta eleição como as pessoas precisam de oxigênio para se manterem vivas”, afirmou. “Uma infinidade de litígios ocorrerá agora. A derrota para Biden não foi apenas uma morte política, mas o fim dos negócios de Trump, de suas finanças e, possivelmente, de sua liberdade”. Em 2018, Cohen se declarou culpado de irregularidades eleitorais na campanha de 2016 relacionadas a pagamentos ilegais feitos à Stormy Daniels, para calá-la. A investigação revelou que um candidato à presidência, chamado de Indivíduo 1, também estava envolvido na falcatrua. Evidentemente, trata-se de Trump.

É de Nova York que virão provavelmente as maiores ameaças à Trump daqui para frente. Ainda está quente o chamado relatório Mueller, cujos resultados foram entregues à Justiça no ano passado pelo procurador especial de Manhattan Robert Mueller, que investigou a suposta interferência russa na campanha eleitoral. Embora não tenham sido encontradas provas conclusivas de colaboração de Trump com o governo russo, o relatório abriu novos caminhos e indicou várias movimentações suspeitas do presidente. O promotor distrital de Manhattan Cy Vance também está investigando os assuntos financeiros do presidente e trata de revisar todas as suas declarações de imposto de renda. Em outra frente, a Procuradora Geral do Estado de Nova York, Letitia James, lidera uma investigação civil sobre as práticas comerciais pouco ortodoxas de Trump. Pelo jeito, o atual presidente americano terá muitos problemas com a Justiça pela frente. E só lhe restará chorar as mágoas na sua nababesca mansão na Flórida, onde ele se esconde sempre que a coisa aperta.

ESCONDERIJO Quando a situação aperta, Trump se refugia na sua mansão na Flórida: longe dos holofotes (Crédito:Divulgação)

Os rolos do presidente

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O presidente americano é investigado por irregularidades na campanha eleitoral de 2016, pelos pagamentos feitos à atriz Stormy Daniels e pela suspeita de colaboração com os russos

Depois de deixar o governo, Trump terá de pagar cerca de US$ 300 milhões em quatro anos por causa de empréstimos contratados por seu grupo empresarial

A Procuradoria-Geral do Estado de Nova York investiga suspeita de sonegação e o perdão de uma dívida tributária do presidente de US$ 287 milhões, acumulada desde 2010

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