O pentelho

O pentelho

Há dois tipos de presidente chato.

O primeiro é aquele que governa sem causar grandes emoções. Ele resolve problemas, mantém o navio aprumado. Sua chatice é do bem. São os meus preferidos.

O segundo tipo é Jair Bolsonaro.

Não bastasse toda a sua ignorância, toda a sua incompetência e grosseria, todo o seu autoritarismo, Jair Bolsonaro tornou-se um pentelho.

Ele é como o personagem daquele filme de Jim Carrey, O Pentelho, que atormenta a vida de um sujeito que lhe deu um instante de atenção.

Bolsonaro não governa. Ele se limita a repetir, dia após dia, as mesmas mentiras sobre vacinas, tratamento precoce e voto eletrônico.

Os brasileiros estão enlutados e estafados com a pandemia. Em vez de falar sobre o futuro, apresentar uma visão de crescimento da economia ou melhoria na vida dos cidadãos, tudo que ele sabe é entoar as mesmas cantilenas.

É insuportável. Você acorda e lá está Bolsonaro, frustrado, enfezado, reclamando e reclamando e reclamando.

Ele faz do Brasil um dos círculos do inferno de Dante, sei lá eu qual, onde as almas são condenadas a reviver para sempre a mesma agonia.

Por que Bolsonaro, ainda hoje de manhã, estava falando de tratamento precoce? Chega, por misericórdia.

Universidades e farmacêuticas continuarão testando medicamentos para tornar mais eficaz o tratamento do coronavírus. Talvez algum remédio esteja disponível para futuros pacientes, em um surto futuro da doença (toc, toc, toc). Mas não agora. Esta pandemia está sendo vencida pelas vacinas, e não pela obsessão do presidente, que jogou a vida dos brasileiros na roleta para provar que estava certo.

Quanto ao voto impresso, Bolsonaro exercita aquela crença nazista segundo a qual uma mentira incessantemente repetida se tornará verdade. Não é o caso.

O ônus da prova sempre está com os acusadores. Se Bolsonaro diz que o sistema eletrônico não é confiável, tem de provar.



Não adianta tratar Luís Roberto Barroso, o presidente do TSE, como se fosse um pérfido conspirador, que tenta demover os parlamentares de implantar o voto impresso por razões obscuras.

Barroso está defendendo o conhecido: um sistema que funciona sem sobressaltos há 25 anos. E Bolsonaro, o que está defendendo?

A maquininha que imprime o voto é só o começo do trabalho: depois é preciso transportar a papelada, recontar manualmente a papelada, garantir a segurança de centenas de locais de apuração pelo país. E se houver tiro, porrada e bomba nesses locais de “escrutínio”?

Se Bolsonaro quer voto impresso, não basta zurrar toda manhã que a urna eletrônica não é confiável. Ele tem de mostrar qual o risco de fraude. Precisa também explicar detalhadamente qual o sistema de apuração que imagina, e como pretende garantir sua segurança.

Não vou mais escrever sobre esses assuntos. Dou-me o direito de não gastar mais tempo com as mentiras em moto perpétuo de Bolsonaro, uma vez que calá-lo não é uma alternativa. Pentelho.

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PS: Ontem, optei por não comentar a reportagem do jornal O Estado de S. Paulo sobre as ameaças do Ministro Braga Netto ao processo eleitoral de 2022. Fiz isso não porque os dois principais envolvidos, o próprio ministro e o presidente da Câmara, Arthur Lira, desmentiram a história, mas principalmente porque Luis Roberto Barroso também agiu, logo cedo, para abafá-la. Erro meu. Lida corretamente, a mensagem divulgada por Lira não foi um desmentido. Além disso, Braga Netto usou uma mesma nota para negar os fatos narrados na reportagem e propagandear o voto impresso – pauta política que não tem nada a ver com a pasta da Defesa. Esse é o problema: mesmo que a história não fosse verdadeira (e o Estadão garante que é), ela seria absolutamente verossímil. Braga Netto é o protótipo do militar bolsonarista que adoraria acompanhar o presidente numa aventura autoritária. Brasília sabe disso e reagiu à altura, dizendo que não existe espaço no Brasil de hoje para quem faz ameaças contra a democracia. É isso.

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