O Pensamento Bolsonárico


O presidente Bolsonaro nunca nos decepciona: quando imaginamos que chegou ao fundo do poço, ele surge do alto de sua parvoíce para nos brindar com alguma pérola ainda mais baixa do que da última vez. Nos últimos tempos, sua incontinência verborrágica tem nos brindado com disparates que trazem luz sobre o funcionamento do complexo cérebro presidencial.

Suas ideias remetem a outras importantes escolas do pensamento. A Lógica Aristotélica, com seus argumentos que nos permitem chegar a conclusões coerentes; o Método Socrático, onde perguntas feitas pelo mestre levam o pupilo a descobrir suas próprias verdades. Hoje temos no Brasil mais uma inovadora forma de conhecimento: o Pensamento Bolsonárico. Ele é tão sofisticado que ainda não foi decifrado pelos intelectuais — provavelmente nem pelo próprio criador. Basicamente, consiste em dizer qualquer coisa que vem à cabeça, não importa se faz sentido ou não. Tem algo de dadaísta, um raciocínio que beira o infantil, mas também parece surrealista, uma vez que não tem compromisso com a realidade. Em outros casos, é só mentira e falta de empatia, mesmo.

O auge dessa lógica perversa é a aceitação resignada da inevitabilidade da morte: não adianta fazer nada. Para quê? Vamos todos morrer um dia

O auge do Pensamento Bolsonárico são suas declarações sobre a pandemia, principalmente o trecho em que diz que a doença deve ser enfrentada “porque todos vamos morrer um dia”.

Para o presidente, não faz sentido que o povo se proteja, uma vez que a morte é inevitável. Talvez seja difícil ele entender que as pessoas que estão vivas preferem continuar vivas. Seguindo o raciocínio, não haveria necessidade de se construir hospitais. Afinal, quem ficar doente e morrer não está seguindo nada além do seu curso natural. Investir em saneamento básico? Para quê? Se um brasileiro pegar leptospirose e falecer, não tem problema: vamos todos morrer de qualquer maneira. Vacina? Inútil. Leis de trânsito? Frescura. Combate à fome? Besteira. Desemprego? Até mesmo sua bandeira de campanha, o armamento da população, perde o sentido diante de sua complexa forma de pensar. Se algum bandido entrar na sua casa e matar sua família, não havia nada que pudesse mudar o destino final deles. Nada disso importa, já que nosso destino é o mesmo: o mundo do além. Devemos ser o único país do mundo onde o presidente, em vez de cuidar da vida da população, sugere que ela aceite a morte de forma resignada. É genial porque libera o presidente para fazer a única coisa que ele sabe fazer como ninguém: nada. O Pensamento Bolsonárico nunca decepciona.

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