Edição nº2594 13/09 Ver edições anteriores

O papel das cidades globais

A questão internacional mais ventilada nos últimos anos foi o ressurgimento do nacionalismo, principalmente graças à eleição de Donald Trump para a presidência dos Estados Unidos. Com a onda nacionalista, começamos a ver retrocessos em diversas áreas, notadamente na liberação do comércio internacional.

Essa, porém, não é a principal das várias tendências que estão moldando nosso futuro. Pode muito bem ser um “momento” e não um movimento de longo prazo. Esta é a tese de um importante texto postado poucas semanas atrás por Ivo Daalder, presidente do Chicago Council on Global Affairs. Ele escreveu: “A tendência mais importante de nossa época é a urbanização. Pela primeira vez na história, a população é mais urbana que rural. E o ritmo da urbanização está aumentando a olhos vistos. Só este ano as cidades ganharão 80 milhões de pessoas. São 200 mil por dia. A maioria delas está se mudando para cidades com 500 mil habitantes ou mais. As grandes cidades respondem por três quartos da oferta mundial de bens, serviços e empregos. Motores da prosperidade global, lugares como Londres, Tóquio, Chicago e Pequim cada vez mais influenciam o comportamento social em todo o mundo graças às ideias e à cultura que produzem”. Esse pano de fundo é essencial para compreendermos a crescente pressão exercida pelos prefeitos de grandes cidades para influenciar não apenas os governos de seus países, mas também as instituições internacionais.

Obviamente, nem tudo são flores. As dificuldades com que as megalópoles se deparam são o reverso da moeda. As grandes cidades do Primeiro Mundo são destinos preferenciais das fortes correntes migratórias da atualidade e, como temos visto frequentemente, alvos do terrorismo, com exemplos dramáticos em Nova York, Londres, Paris e Madri.

Mudanças climáticas têm um impacto, ao que tudo indica, crescente na vida urbana. A elevação do nível médio do mar poderá afetar profundamente as grandes cidades litorâneas. Tais áreas são grandes poluidoras da água e da atmosfera, respondendo por setenta por cento das emissões de CO2. Devido à falta de dinheiro e de vontade política ou competência por parte das autoridades, a poluição dos cursos d’água é uma dolorosa cena que os residentes de São Paulo são obrigados a contemplar diariamente

É preciso perceber a crescente pressão dos prefeitos das grandes cidades sobre governos e instituições. Só assim entenderemos Londres, Pequim e Nova York


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