O palhaço e a Corte


Eleitos os novos presidentes da Câmara e do Senado, o que os brasileiros esperavam com o fim das disputas internas era um esforço concentrado para votação de temas urgentes, como a ampliação da oferta de vacinas contra a Covid-19 e o auxílio emergencial. No entanto, a sociedade assiste ao desenrolar de um espetáculo grotesco que tem, entre seus atores, um fisiculturista do ódio ministros do Supremo e pela Câmara Federal.

A prisão do ex-soldado da PM, o deputado bolsonarista Daniel Silveira, foi uma medida extrema decretada pelo ministro Alexandre de Moraes. Investigado no inquérito das fake news, Silveira foi detido em flagrante após publicar um vídeo com ameaças aos membros da Corte e apologia ao AI-5.

Certo de que a imunidade parlamentar garantiria sua impunidade, o deputado não acreditou que passaria sequer uma noite na cadeia, muito menos que seus pares no Parlamento confirmassem, com ampla maioria, a medida do judiciário. A opinião pública o repudiou. O partido lhe virou as costas. Colegas de infâmia, outros contumazes detratores do Supremo como Carla Zambeli, Kicis e o verborrágico Eduardo Bolsonaro que ameaçou o STF com um cabo e um soldado, não disseram uma palavra sobre o caso. Nem o Messias lhe valeu. O presidente Bolsonaro, um dos maiores estimuladores do ódio contra o Supremo, calado estava, calado ficou.

O soldado cuja missão era desmoralizar a Corte foi abatido. Deu-se conta de que não passa de um clown solitário, um palhaço do baixo clero, sem força, sem influência, sem graça nenhuma. Virou “boi de piranha”, o bicho que é sacrificado para o gado passar ileso.

A Câmara precisa saber que pode muito, mas não pode tudo. Pois, ainda há juízes em Berlim, digo, em Brasília.

Enquanto não decide o destino de Silveira, a Câmara contra-ataca e tenta emplacar a PEC da Impunidade. Trata-se de um salvo-conduto concedido a parlamentares para a prática de crimes, sem prisão, afastamento do cargo ou inscrição no rol dos Ficha-Sujas, verdadeira provocação aos brasileiros. A PEC pode até sair vitoriosa do Congresso, mas certamente será derrotada no Supremo. Flagrantemente inconstitucional, a Emenda não passaria pelo crivo da Corte. Como último intérprete da Constituição, cabe ao STF determinar, em definitivo, o que é ou não constitucional. E há que haver um ponto final às contendas. Questões políticas e sociais não podem ser alvo de eternas discussões. Ao bater o martelo, o STF garante não só a segurança jurídica, mas também a paz social.

A PEC da Impunidade para parlamentares é uma aberração. A Câmara precisa saber que pode muito, mas não pode tudo. Pois, ainda há juízes em Berlim, digo, em Brasília.

Veja também
+ Joice Hasselmann aparece com fraturas e diz acreditar ter sido vítima de ‘atentado’
+ Pintor é expulso de rodízio por comer 15 pratos de massa; assista
+ ‘Transo 15 vezes na semana’, diz Eduardo Costa ao revelar tratamento por vício em sexo
+ Gel de babosa na bebida: veja os benefícios
+ Mercedes-Benz Sprinter ganha versão motorhome
+ Veja fotos de Karoline Lima, novo affair de Neymar
+ Anorexia, um transtorno alimentar que pode levar à morte
+ Agência dos EUA alerta: nunca lave carne de frango crua
+ Yasmin Brunet quebra o silêncio
+ Tubarão é capturado no MA com restos de jovens desaparecidos no estômago


Mais posts

Ver mais

Copyright © 2021 - Editora Três
Todos os direitos reservados.

Nota de esclarecimento A Três Comércio de Publicaçõs Ltda. (EDITORA TRÊS) vem informar aos seus consumidores que não realiza cobranças por telefone e que também não oferece cancelamento do contrato de assinatura de revistas mediante o pagamento de qualquer valor. Tampouco autoriza terceiros a fazê-lo. A Editora Três é vítima e não se responsabiliza por tais mensagens e cobranças, informando aos seus clientes que todas as medidas cabíveis foram tomadas, inclusive criminais, para apuração das responsabilidades.