Comportamento

O Pacaembu do futuro

A concessão para a iniciativa privada de uma das construções mais icônicas da cidade de São Paulo prevê a construção de uma moderna arena multiuso e de um espaço comercial com lojas e restaurantes

Crédito: Divulgação

REFORMA A arquibancada conhecida como Tobogã dará lugar a uma construção que garantirá diversos usos para o estádio (Crédito: Divulgação)

Se um dia o estádio Paulo Machado de Carvalho, conhecido por todos como Pacaembu, foi um palco predominante do futebol paulista, hoje ele está escanteado. Desde 2014, o Corinthians, último mandante constante no estádio, escolhe sua arena própria como casa. Atualmente, o Pacaembu é utilizado pelos grandes clubes do estado apenas como substituto em dias de shows, quando o Allianz Parque, do Palmeiras, ou o Morumbi, do São Paulo, estão ocupados, ou esporadicamente para decisões em que o Santos o escolhe como mandante. Na maior parte do tempo seu uso é esporádico. Mas essa situação deve mudar nos próximos dois anos. A exploração comercial do estádio foi transferida para a iniciativa privada e em breve ele deve se converter em uma arena moderna e preparada para receber todo tipo de evento esportivo.

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COMPLEXO No novo estádio haverá espaços para a venda de alimentos e bebidas e para lojas e salas comerciais. Um centro de eventos receberá shows para públicos de até 6 mil pessoas (Crédito:Divulgação)

Dentro de 90 dias, a Prefeitura não cuidará mais do Pacaembu. A concessão para a Allegra Pacaembu foi assinada em setembro por um período de 35 anos e compreende todas as instalações, incluindo o estádio, a piscina, as quadras de tênis e o ginásio poliesportivo. Fica de fora o Museu do Futebol, que funciona embaixo das arquibancadas, e a Praça Charles Miller, que ainda serão administrados pelo município. O valor pago pelo consórcio vencedor é de R$ 115 milhões, mas a Prefeitura estima que com a arrecadação de impostos e com as reformas futuras seu retorno será de mais de R$ 650 milhões. Segundo Eduardo Barella, diretor presidente da Allegra Pacaembu, o interesse na administração do estádio aumentou a partir da Copa do Mundo de 2014 e das Olimpíadas do Rio de 2016, pois algumas arenas construídas para tais eventos ficaram subutilizadas por causa da dependência exclusiva de esportes, impedindo que o potencial dos estádios seja plenamente aproveitado.

Barella compara os planos do Pacaembu ao Estádio de Wembley, em Londres, e ao Madison Square Garden, em Nova York, utilizando o último como exemplo de arena multiuso. “Um dia tem um show de uma artista pop como a Rihanna, no dia seguinte uma partida de basquete do New York Knicks e no outro uma convenção do partido republicano”, explica. Para o Novo Pacaembu, a arquibancada do Tobogã será demolida e um prédio de nove andares — quatro subterrâneos e cinco na superfície — será construído no lugar. A ideia é que as instalações sejam ocupadas com lojas de alimentos e bebidas, de artigos esportivos e de serviços como lavanderia e papelaria. Dessa forma, a capacidade do estádio diminuirá para 26 mil pessoas.

“A ideia é fazer do Pacaembu o melhor estádio neutro do País” Eduardo Barella, diretor presidente da Allegra Pacaembu (Crédito:Divulgação)

No subsolo, o principal equipamento será um centro de eventos que suportará shows de pequeno porte para públicos de até seis mil pessoas. O futebol continuará sendo o produto predominante e o consórcio prevê que o Pacaembu será “o melhor estádio neutro do País”, abrindo as portas para os grandes da capital, além de times de fora do estado, futebol feminino e até campeonatos amadores. A concessionária espera administrar o estádio sem supervisão da Prefeitura a partir de janeiro de 2020, na Copa São Paulo de Futebol Júnior. Ele será fechado para reforma em julho do ano que vem e reabrirá após 28 meses.

Possível impedimento

A concessão não será usufruída sem entraves. O Ministério Público, atendendo um pedido da associação de moradores Viva Pacaembu, pediu a suspensão do contrato, alegando que o fato de Barella ter feito parte do conselho administrativo da SPTrans na época da licitação fere o edital. A associação teme que eventos no estádio causem “transtorno ao sossego, à saúde e à segurança dos moradores”. Mesmo assim, a empresa segue segura do cronograma de transformação do Pacaembu. “Há jurisprudência favorável inclusive no STF. Além disso, não foi a SPTrans que conduziu o leilão, e sim, a Secretaria de Esportes”, argumenta Barella. Para a população, a expectativa é de que um Pacaembu melhor nasça do processo de privatização, se possível, tão bom quanto foi um dia.

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