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O novo fenômeno do esporte brasileiro

O paratleta Petrúcio Ferreira quebra sucessivos recordes mundiais, torna-se um dos homens mais rápidos do Brasil e desperta uma discussão: ele está pronto para enfrentar atletas olímpicos?

O novo fenômeno do esporte brasileiro
Com apenas 20 anos, Petrúcio pode evoluir muito mais

 

 

 

Nas últimas semanas, uma discussão ganhou força no esporte brasileiro: o paratleta Petrúcio Ferreira deve participar de competições para atletas sem deficiência? Por mais surpreendente que a indagação possa parecer, ela não é exagerada. Petrúcio é um fenômeno das pistas. No Mundial de Atletismo Paralímpico, realizado há três meses em Londres, ele cravou o novo recorde mundial das categorias T45/46/47 (para amputados) com a marca de 10s53 nos 100 metros rasos.

Trata-se de um tempo excepcional – apenas 17 centésimos pior do que o índice obtido por Vitor Hugo dos Santos na Olimpíada do Rio. Nos 200 metros, Petrúcio também ameaça os olímpicos. Detentor do recorde mundial da distância (21s21), ele está a menos de um segundo do melhor tempo registrado no Brasil em 2017. “Claro que passa pela minha cabeça disputar provas contra atletas que não são deficientes”, diz Petrúcio. “Isso vai depender dos resultados daqui para frente.” A seu favor, pesa algo fundamental no esporte: a juventude. Com apenas 20 anos, Petrúcio tem ainda muito a evoluir.

“Ele começou tarde no atletismo, o que só reforça o seu impressionante potencial”, diz o técnico Pedro Pereira, que o acompanha diariamente nos treinos na Universidade Federal da Paraíba (UFPB), em João Pessoa. Fanático por futebol, Petrúcio foi pinçado para o atletismo em um campeonato amador de futsal, em 2013. Dotado de enorme velocidade, ele chamou a atenção de olheiros que viam a partida. “Naquele mesmo ano, já estava correndo os 100 metros em 11 segundos, uma façanha totalmente fora da curva”, diz o treinador Pereira.

Pouco tempo depois, disputava uma Paralimpíada e quebrava seu primeiro recorde mundial. O paraibano nascido em São José do Brejo do Cruz perdeu o antebraço esquerdo aos dois anos de idade, em um acidente com um moedor de capim. Isso não o impediu de sonhar. “Meu objetivo de criança era ser jogador de futebol e voar de avião”, afirma. “Hoje conheço o mundo inteiro e descobri um esporte muito melhor do que o futebol: o atletismo.” Nos próximos anos, Petrúcio quer continuar fazendo história – como paratleta ou, quem sabe, velocista olímpico.


“O Petrúcio é fora da curva”

O que dizem especialistas em medicina esportiva, técnicos e ex-atletas sobre o recordista mundial

Reconhecido como um dos principais nomes do esporte brasileiro, Petrúcio Ferreira conquistou a admiração de especialistas no assunto. “É possível que ele se torne o homem mais rápido do Brasil”, diz Robson Caetano, detentor do recorde brasileiro dos 100 metros, com exatos 10 segundos. “Ele me parece acima da média”, analisa Turíbio Leite Barros Neto, professor de medicina esportiva da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). “Deveria ser submetido a avaliações científicas mais apuradas para saber como, biomecanicamente falando, o corpo dele consegue compensar tão bem a deficiência física”. Os elogios não param. “O Petrúcio é um fora da curva, assim como Usain Bolt”, afirma Nakaya Katsuhico, que pertence ao corpo de técnicos da Confederação Brasileira de Atletismo (CBAt).