O negacionismo da maconha

Enquanto a Câmara evolui nas discussões de um projeto que legaliza o uso da maconha medicinal no Brasil, o governo Jair Bolsonaro, mais uma vez, mergulha no negacionismo e no preconceito. Na última terça-feira,
a comissão parlamentar que analisa o assunto aprovou o texto com todas as regras que nortearão a fabricação local
e a comercialização de remédios à base de cannabis, reconhecidamente úteis, por exemplo, no combate a doenças psiquiátricas e degenerativas, como esclerose múltipla, Mal de Parkinson e epilepsia. Não restam muitas dúvidas sobre a eficácia terapêutica da droga em várias enfermidades e sobre a necessidade de incentivar as pesquisas sobre seu consumo, baixar seu preço e torná-la mais acessível para os pacientes. Mesmo assim, o que se vê da parte dos bolsonaristas é uma tentativa de sabotar o projeto, criminalizar a discussão sobre a maconha e esvaziar a possibilidade de um uso produtivo da planta.

Considerar a cannabis uma droga decadente e perigosa é um erro grosseiro, tão grave como promover a cloroquina como cura da Covid-19. Virou discurso de gente ignorante, que desconhece pesquisas científicas e se recusa a aceitar a verdade dos fatos. Muito se condenou o uso recreativo da cannabis ao longo da história, mas o que se vê nos últimos anos é um crescente reconhecimento de seus benefícios medicinais e sua descriminalização progressiva em vários países. Embora o governo brasileiro procure negar os efeitos benéficos e o baixo risco de seu uso, o fato é que milhões de pessoas estão recuperando a qualidade de vida graças à planta. A própria Anvisa estima que a aprovação
da regulamentação para produção e venda de remédios à base de cannabis pode beneficiar 13 milhões de pessoas.

Considerar a cannabis uma droga perigosa e decadente é um erro grosseiro, tão grave como promover a cloroquina como cura da Covid-19

Bolsonaro trata o projeto com desprezo e ironia e adiantou que vai vetá-lo, mas seu veto pode ser derrubado. Sempre que se mete em assuntos de saúde, o presidente comete alguma barbaridade. A situação se repete agora com o canabidiol e outros derivados de cannabis. Na Câmara, o projeto foi aprovado numa disputa apertada por 18 a 17 votos e deve seguir para o Senado. Deputados governistas, porém, entraram com um recurso para exigir que a proposta seja antes apreciada pelo plenário. O assunto desperta paixões e é explorado de maneira mentirosa pelos opositores da cannabis. Está na hora do governo aceitar que a maconha deixou de ser uma questão de segurança pública para se transformar em uma solução de saúde para milhões de pessoas.


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