O mistério da Little Holanda de 4 mil km² na floresta do Amazonas

Dados detalhados de cartórios do Estado indicam forte ocupação estrangeira na floresta

O mistério da Little Holanda de 4 mil km² na floresta do Amazonas

Presidente do Senado, Rodrigo Pacheco


Com a CPI das ONGs da Amazônia ganhando força no Senado – o presidente Rodrigo Pacheco (PSD-MG) já deu aval para a instalação – sumiu do ar o site da ONG Opção Verde, entidade criada por holandeses, que desde 2008 compra terras nas florestas na região da rica Coari (AM), onde há grandes reservas de gás no subsolo.

A Coluna teve acesso a documentos que podem chegar à Polícia Federal para uma devassa.

Para citar um caso, uma ativista holandesa tem em seu nome escrituras de área de 26 km x 86 km (estupendos 1.200 km²) de mata fechada. Outro ‘ongeiro’ holandês é do setor de energia. Seus nomes e fichas estão nas mãos do senador Plínio Valério (PSDB-AM), que há anos vem citando casos concretos de compras de muitas terras na região da amazônica por estrangeiros.

Os dados oficiais – são os oficiais, registrados em cartórios de cidades do Amazonas – indicam que, só estes holandeses já compraram cerca de 4 mil km² de terras na região.

Segundo Valério, a ONG contratou a advogada Mônica Bonfim (com especialidade em ações trabalhistas) em Manaus para representá-los em visitas ao Senado. Ela visitou uma vez alguns gabinetes ano passado, mas não voltou mais. Não encontramos os contatos da advogada por telefone e e-mail (a reportagem enviou uma mensagem pelo Facebook dela).

Há curiosidades nos informes do grupo para ambientalistas, que chegaram em dossiê ao Senado. A ONG Opção Verde, na justificativa para compras das terras, sugeria que o seu objetivo é preservar a floresta, criar um “sistema de monitoramento tropical”, capacitar e “controlar” os nativos, segundo narra o parlamentar.

A Opção Verde não está sozinha nisso. Há outras ONGs que têm estrangeiros residindo e comprando terras na região da Amazônia brasileira, em especial no Amazonas. Informações sigilosas também apontam que um dos bilionários fundos internacionais para preservação da floresta, com dinheiro repassado a ONGs, vem em parte de uma multinacional de exploração de alumínio em terras do Pará.

A CPI das ONGs da Amazônia já conta com assinaturas suficientes para ser aberta, os partidos já indicaram seus integrantes e foi lida em plenário. Falta instalar. Mas a agenda intensa de fim de ano pode empurrar a abertura da Comissão para 2022.

Mas a PF, se provocada na eventual CPI, pode descobrir o tamanho da Europa que já cabe no Brasil. O lobby contra a CPI já é forte nos gabinetes. Advinha de quem? De senadores da bancada do Norte, ligados a entidades do terceiro setor.


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Sobre o autor

Leandro Mazzini começou a carreira jornalística em 1996. É graduado em Comunicação Social pela FACHA, do Rio de Janeiro, e pós-graduado em Ciência Política pela UnB. A partir de 2000, passou por ‘Jornal do Brasil’, ‘Agência Rio de Notícias’, ‘Correio do Brasil’, ‘Gazeta Mercantil’ e outros veículos. Assinou o Informe JB de 2007 a 2011, e também foi colunista da Gazeta. Entre 2009 e 2014 apresentou os programas ‘Frente a Frente’ e ‘Tribuna Independente’ (ao vivo) na REDEVIDA de Televisão, em rede, foi comentarista político do telejornal da Vida, na mesma emissora e foi comentarista da Rede Mais/Record TV em MG. Em 2011, lançou a ‘Coluna Esplanada’, reproduzida hoje em mais de 50 jornais de 25 capitais e interior Foi colunista dos portais ‘UOL’ e ‘iG’ desde então, e agora escreve no blog que leva seu sobrenome no portal da ‘Revista Isto É’, onde conta com o trabalho dos jornalistas Walmor Parente e Carolina Freitas, além de correspondentes no Rio e Recife. É também comentarista das rádios ‘JK FM’ em Brasília, ‘Super TUPI’, do Rio, e ‘Rádio Muriaé’.


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