Edição nº2555 07/12 Ver edições anteriores

O mercado já compra Haddad

O Brasil está barato. Muito barato. E os agentes do chamado ‘mercado’ já sabem disso. Na última quinta-feira 27, quando uma pesquisa do Instituto Brasilis, do competente cientista político Alberto Carlos de Almeida, apontou, em suas simulações de segundo turno, o candidato Fernando Haddad, do PT, oito pontos à frente do extremista Jair Bolsonaro, do PSL, qual foi a reação? A B3 (antiga Bovespa) superou 80 mil pontos e o dólar, depois de diversas semanas, voltou a ser negociado abaixo de quatro reais.

Isso deixa claro que a histeria de operadores financeiros, que sempre nos períodos eleitorais repetem a velha ladainha de risco-PT, já vem sendo superada. Em 2002, todos se lembram, o especulador George Soros falava em “Serra ou caos”. Deu Lula, o Brasil acumulou mais de US$ 300 bilhões em reservas e o mercado acionário registrou a maior valorização de toda a sua história. Nunca antes na história deste País tantos empresários ficaram bilionários lançando ações em bolsa.

Com a provável vitória de Haddad, que vai se consolidando como favorito com o empurrão das mulheres e os tropeços verbais da dupla Bolsonaro e Mourão, não será diferente. A tendência é que, rapidamente após as eleições, o real tenha forte valorização. A economia brasileira tem registrado grandes superávits comerciais, matérias-primas como petróleo e minério de ferro vêm se valorizando, e a tendência é que um governo legítimo, após três anos de golpe, possa finalmente restaurar a confiança empresarial.

Esse retorno à normalidade poderá criar as condições para a retomada de investimentos em infraestrutura e também de programas sociais. Um cenário oposto ao que ocorreria num eventual governo Bolsonaro, em que todos batem cabeça. Numa proposta estapafúrdia, o economista Paulo Guedes, o “posto Ipiranga” do candidato, propôs cobrar mais impostos dos pobres e menos dos ricos, fixando uma alíquota única de Imposto de Renda em 20%. Seguindo a mesma toada do ataque aos pobres, o general Mourão, criticou direitos como o adicional de férias e o décimo-terceiro salário, que ele comparou a uma “jabuticaba”.
Quanto injustiça com uma das mais deliciosas frutas da natureza, a quem os conservadores se referem para tratar de coisas que “só existem no Brasil”… Até agora, Bolsonaro só não viu sua candidatura derreter porque, com a internação hospitalar, acabou sendo protegido dele próprio. Sem se expor a debates, em que seria desconstruído por qualquer adversário, manteve seu capital eleitoral. O problema é que Guedes e Mourão não foram internados. E já disseram atrocidades suficientes para destruir qualquer candidatura. O Brasil caminha para uma vitória de Haddad e o mercado financeiro já se adaptou a esse cenário.

Caminha-se para uma nova vitória do PT e os agentes financeiros já se adaptaram a este novo cenário eleitoral

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Leonardo Attuch

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