O mata leão perdeu


Na sociedade moderna e veloz das redes e das telas de vigilância, o grande irmão estará sempre vigiando, como antecipou George Orwel. Foi justamente essa convergência que revelou a crueldade a que negros são submetidos pelas forças policiais. Foi também o que levantou pessoas e instituições nos Estados Unidos e no mundo, para denunciar a violência abusiva envolta na discriminação racial e exigir mudanças nas abordagens. Manifestantes e policiais colocaram-se juntos de joelhos, reconheceram a brutalidade e primitivismo daquelas ações e repactuaram o novo normal para a questão: abaixo o mata leão.

No Brasil, rapidamente se levantou um exército do bem, para exigir as mudanças, que, mesmo após a morte de Floyd, continuou norteando as ações da Polícia Militar de São Paulo e provocando indignação e revolta na população. As técnicas de imobilização por asfixia e sufocamento com joelho, pés e braços são extremamente agressivas e violentas e, plasticamente, tem impacto negativo avassalador.

Não acrescentam garantia adicional à segurança do policial que, em regra, está sempre em maioria, e coloca em risco a integridade e a vida das pessoas, além de responsabilizações adicionais aos agentes da lei. Sem contar o reforço da percepção pública de que a ação policial segue estruturada por agressividade e violência sem causa, e movida por um olhar enviesado racialmente, que trata com dois pesos e duas medidas pobres e negros e ricos e brancos.

George Floyd estaria feliz se soubesse que no Brasil ajudou a mudar a realidade. Na semana que passou a Policia Militar, pressionada pelo Movimento AR e demais movimentos da sociedade civil, baniu o mata leão na abordagem
dos seus policiais.

Do outro lado, a CCP — Cyrela Commercial Properties S/A — cedeu à realidade que, nos shoppings centers, por conta do “viés inconsciente”, a relação entre negros e a segurança privada é com frequência ofensiva e conflituosa, resvalando muitas vezes para agressão moral e mesmo física. Além de aderir ao movimento irá treinar e qualificar seus profissionais de segurança, em direitos humanos, racismo e igualdade racial nos seus seis shoppings center, em São Paulo, Rio de Janeiro e Goiás. Irá também promover a qualificação e inclusão de jovens negros no setor de tecnologia, empreendedorismo, no quadro de estagiários e de profissionais. Além disso, convocará seus fornecedores para juntarem-se nesse esforço civilizatório. A cidadania e os negros agradecem, e, indubitavelmente, depois dessas valorosas medidas: o mundo amanheceu melhor.

As técnicas de imobilização por asfixia e sufocamento com joelho, pés e braços, são agressivas e violentas


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