A balança ideológica do empresário Rubens Ometto é igual à do MDB – está sempre com o Governo, seja qual for a linha. Após desfilar bonito dentro do gabinete de Jair Bolsonaro – reuniu quatro ministros num mesmo dia no gabinete presidencial –, entrou na mira de congressistas por querer se meter no pragmatismo da Receita Federal. Isso mesmo. Vem causando estranheza em Brasília a defesa ferrenha de asseclas do mega empresário na proposta de lei que permitiria à Receita fechar empresas com dívidas tributárias. O comentário entre gabinetes é o de que o projeto foi forjado na mesa do magnata do setor de logística e será usado para perseguir os seus inimigos concorrenciais. O mais curioso nesse caso é que o projeto viria de um empresário que declaradamente é contra órgãos reguladores e fiscalizadores – Ometto, em vídeo, já defendeu o fechamento da Agência Nacional de Petróleo. Membro do Conselhão do Governo, ele ainda sonha em fazer de seu CEO, Luís Henrique Guimarães, presidente da Vale.

A cobiça de poder de Rubens Ometto chamou a atenção de congressistas de diferentes partidos. Ele quer ingerência na Receita e controlar a Vale

Oposição no duto da Eletrobras

A movimentação de políticos na sala de Bruno Eustáquio, diretor de Relações Institucionais da Eletrobras, incomoda parlamentares de esquerda e servidores da empresa. Eustáquio usa polpudos fundos regionais de recuperação de bacias hidrográficas, da Eletrobras, para favorecer políticos de oposição ao Governo Federal. “Estão fazendo investimentos com base em interesses políticos. Isso é fisiologismo com recursos de uma empresa estratégica”, afirma o deputado João Daniel (PT-SE). Bruno Eustáquio, um servidor público de carreira, era da turma muito próxima de Jair Bolsonaro nas desastrosas articulações contra a posse de Lula da Silva.

Qual a intervenção?

General Braga Netto, ministro da Defesa
Marcello Casal Jr./Agência Brasil

A Polícia Federal teria a chance de descobrir muitas ligações ainda não explicadas entre o crime organizado e a Polícia do Rio se ouvisse os generais Richard Nunes, então secretário de Segurança, e Braga Netto, então interventor à época do crime contra Marielle Franco. Como, por exemplo, o delegado Rivaldo Barbosa se tornou chefe da Polícia.

Barros reencontra a porta do Palácio

“O Supremo está avançando na prerrogativa de outros Poderes. Quem provoca a reação é quem conduz a ação” Ricardo Barros, líder do governo na Câmara

Há uma semana, fora da agenda, o presidente Lula da Silva chamou para café no Palácio da Alvorada o deputado federal Ricardo Barros (Progressistas-PR), ex-ministro da Saúde no Governo de Michel Temer, mas também aliado de anos. Barros foi líder do Governo Jair Bolsonaro, de Fernando Henrique, de Dilma Rousseff e do próprio Barba. Lula queria saber sua opinião sobre política, economia, eleições municipais e a sucessão na Câmara, entre outros temas. Articulado e tido como pragmático cumpridor de acordos, Barros foi Secretário de Indústria e Comércio do Paraná e retornou à Câmara no 7º mandato de deputado.

Padilha sente o peso da cadeira

O magnata com sede de poder
Ministro da Secretaria de Relações Institucionais, Alexandre Padilha (Crédito:Marcelo Camargo/Agência Brasil)

O presidente Lula da Silva deu um ultimato ao ministro das Relações Institucionais, Alexandre Padilha, do PT. Ou ele se acerta com os deputados – ainda há uma fila de reclamações, da oposição à base – ou volta para a planície; leia-se a Câmara dos Deputados. O presidente foi enfático, do jeito que está não dá mais. Padilha entendeu o recado e começou a procurar pessoalmente os líderes dos partidos e representantes do baixo clero, pedindo apoio para se manter no cargo. Evidentemente, sabe que há outra fila (de deputados) de olho no seu gabinete, um dos mais poderosos da República.

Cautela é a palavra na Polícia

Com olhar desconfiado do Brasil sobre a honestidade dos delegados, após prisão de Rivaldo Barbosa, ex-chefe da Polícia Civil, e cerco a Giniton Lages, a corporação no Rio de Janeiro trata com cautela o caso Marielle Franco. A prisão é fator, mas exonerações só sairão com condenações.

Que bicho vai dar?

A prisão do deputado Chiquinho Brasão, por ser mandante da morte de Marielle Franco, abre caminho para o suplente Ricardo Abrão (União-RJ), ex-presidente da Beija-Flor e primo do bicheiro Anísio. Em outra frente, a PF pode investigar o irmão no TCE, Domingos Brazão, também preso, por dificultar a concessão de um cinema em Niterói.

Um presidente baiano

Pelas articulações já em andamento, tão cedo, o cenário congressual indica que um baiano será o novo presidente da Câmara dos Deputados em 2025, na sucessão de Arthur Lira. A disputa pode ficar entre Elmar Nascimento (União-BA), do grupo de Lira, e Antônio Brito (PSD-BA), apadrinhado pelo Palácio, que precisa controlar a Casa.

NOS BASTIDORES

Uma fatia do Brasil

Pelo menos 6,5 milhões de hectares foram comprados por grupos estrangeiros de diferentes países, nas cinco regiões do Brasil. E esses são os registrados em cartórios.

Conexão Rio-Coreia

A PF e a Interpol trabalham há mais de ano no rastro de containers que chegam aos portos do Rio de Janeiro. Puxando a rota, armas e munições vendidas para facções vindas da … Coreia do Norte.

Por quem ela chora

Na esteira do choro da ministra da Saúde, Nísia Trindade, se omite uma trava na articulação da pasta com os congressistas, e há quem aponte a falta de diálogo do secretário-executivo Swedenberger Barbosa, egresso do Governo Agnelo Queiroz.

Paraíso em leilão

A Justiça Federal voltou a ofertar área de 60 mil m² de frente para o mar na Praia de Itaquena, entre Trancoso e Caraíva, uma chance para quem investe em resorts. Com deságio de 66%, a R$ 90 milhões.