Alckmin não é do mal, mas também não é santo. Em 50 anos de vida pública, não responde a grandes acusações de corrupção, a não ser a algumas denúncias por receber recursos de caixa 2 para suas campanhas. Mas, como diz seu novo parceiro, Lula da Silva, quem nunca? O fato é que o ex-governador saiu do ostracismo ao qual estava relegado depois da derrota acachapante para presidente em 2018 (4,7% dos votos), para voltar ao jogo político em que pode ser decisivo para dar a vitória ao demiurgo de Garanhuns. Afinal, vai emprestar ao lobo petista uma pele de cordeiro de centro-direita, com os votos da Igreja Católica da Opus Dei, que o PT sempre exorcizou, para derrotar não apenas Bolsonaro, mas aniquilar a terceira via e, sobretudo, destruir o PSDB que ajudou a criar.

Chuchu

Certamente não foi para o PSB para ser vice de Lula pelo carisma ou pelos votos que tem. Conhecido como picolé de chuchu por nunca ter exposto suas opiniões com firmeza, perdeu a eleição de 2006 para o petista exatamente por vacilar na defesa das privatizações e agora se joga no colo de quem quer revogar as reformas que ajudou a aprovar.

Corrupção

A mais grave contradição está no campo da ética. Ele fez inúmeras gravações atacando o petista, taxando-o de o maior corrupto da história. Em 2018, quando Lula ainda estava na cadeia, Alckmin foi contundente. “Vejam a audácia dessa turma. Depois de ter quebrado o Brasil, Lula diz que quer voltar ao poder. Ou seja, quer voltar à cena do crime.”

Retrato falado

O jogo de Alckmin
“O Brasil é apenas um pequeno transgressor ambiental” (Crédito:Sergio Lima / AFP)

Paulo Guedes virou um grande falastrão. Em encontro com empresários na sexta-feira, 25, disse que o Brasil não é o maior poluidor do mundo. Falou que o País “é um pequeno poluidor” e que “de vez em quando tem uma floresta que queima aqui e ali”. Fez as declarações às vésperas de viagem a Paris para defender a imagem do governo em reuniões na OCDE. Deseja que o Brasil fique com US$ 20 bilhões dos US$ 100 bilhões de um fundo mundial a ser criado para preservar o ambiente.

Os desalentados

Apesar do mercado de trabalho ter reagido de 2021 para cá, o número de brasileiros considerados desalentados, ou seja, os que desistem de procurar emprego por considerar que não vão encontrar uma vaga, atingiu a marca de 4,8 milhões de pessoas em março, de acordo com dados divulgados pelo IBGE. Esse número ainda é muito alto, embora no primeiro trimestre de 2021 ele tenha atingido 5,9 milhões de trabalhadores que se resignaram a ficar em casa por terem consciência de que não conseguirão encontrar trabalho. A faixa de 14 a 24 anos é a que mais tem gente desanimada, mas as mulheres (2,7 milhões) e os negros (3,5 milhões) são os que mais se sentem abandonados.

Desemprego

No final do ano passado, o Brasil tinha 13,5 milhões de desempregados (12,6% da mão de obra economicamente ativa), o que foi classificado como a quarta maior taxa de desemprego do mundo. Este ano, segundo os analistas de mercado, o Brasil deve fechar com 12 milhões de desempregados, ou 11% ao ano.

Põe na tela

O jogo de Alckmin
Diculgação/BAND

O apresentador de TV José Luiz Datena foi anunciado pelo PSDB e União Brasil como o candidato ao Senado na chapa que terá Rodrigo Garcia (PSDB) como candidato a governador de São Paulo. No mundo político paulistano, ainda há os que estão com um pé atrás em relação à candidatura do jornalista. Em anos anteriores, ele se lançava e depois recuava.

Sem graça

Além do radialista, a lista de candidatos ao Senado por São Paulo está bem chocha. Fala-se que serão candidatos Marcio França (PSB), coronel Mário Filho (PDT), Janaína Paschoal (PRTB) e Nise Yamagushi (PTB). Para quem já teve senadores como Fernando Henrique, Mário Covas, José Serra e Eduardo Suplicy, por exemplo, a atual safra é fraquinha.

A força do sindicalismo

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Divulgação

Em meio à crise gerada pelo fim das contribuições obrigatórias, os sindicatos estão tendo que se reinventar. Para resgatar a importância histórica do Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo, o presidente Miguel Torres lança um de seus diretores, Carlos Augusto, o Carlão, como candidato a deputado estadual para ocupar uma das cadeiras da Assembléia Legislativa de São Paulo.

Toma lá dá cá

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Bira do Pindaré, líder do PSB na Câmara (Crédito:Pablo Valadares/Câmara dos Deputados)

Qual o maior desafio que o senhor tem à frente da liderança do PSB na Câmara?
O grande desafio é vencer Bolsonaro nas urnas. Nos últimos quatro anos, vivemos muitos retrocessos, do social à economia. Bolsonaro vai nos deixar um legado maligno.

A aliança entre PT e PSB está consolidada?
Estamos com Lula. Não há melhor nome para enfrentar Bolsonaro e consolidar um projeto democrático de resgate do desenvolvimento.

Onde Bolsonaro mais falhou?
Seria mais fácil perguntar onde ele não falhou. Ele desrespeitou direitos fundamentais, governou em causa própria, cometeu estelionato eleitoral e enganou milhões de brasileiros. A simples saída de Bolsonaro fará com que nós recuperemos o respeito internacional.

Rápidas

* Guilherme Boulos ganhou um presentão de Lula. Para abrir mão de ser candidato a governador de São Paulo este ano e disputar uma vaga na Câmara, o líder do MTST recebeu a promessa de que pode virar ministro caso o petista se eleja presidente da República.

* Lula, aliás, continua de salto alto e anda até escalando ministério. Franklin Martins (Comunicações), Cristiano Zanin (Justiça), Celso Amorim (Relações Exteriores) e Jaques Wagner (Casa Civil) estão no aquecimento.

* Damares Alves (Direitos Humanos) vai deixar o governo neste final de semana para disputar o Senado pelo Amapá. Vai enfrentar Davi Alcolumbre, que, de amigo, virou grande desafeto após a geladeira a André Mendonça no STF.

* Depois que o Republicanos filiou Damares e Tarcísio Freitas, o partido do bispo Edir Macedo recuou em sua intenção de romper com Bolsonaro e ir para a oposição. O jornal da Igreja Universal mete o pau em Lula.