Cultura

“O Instagram destruiu os paparazzi”

O ator britânico, famoso por viver o vampiro Edward, diz que já não precisa fugir de fotógrafos. Ele foge agora do aplicativo

Crédito: Vera Anderson

EX-GALÃ Robert Pattinson busca papéis alternativos para se livrar do estigma de “Crepúsculo” (Crédito: Vera Anderson)

Aos 31 anos, Robert Pattinson sabe que ainda tem muito o que provar como ator. O vampiro que o projetou mundialmente na bilionária saga “Crepúsculo’’ nunca exigiu muitas nuances, como ele mesmo admite. É por isso que Pattinson tem fugido dos blockbusters, buscando papéis mais suculentos em filmes menores, como “Bom Comportamento”. Sob a direção dos irmãos Benny e Josh Safdie, o ator tem a chance de se rebelar, vivendo Connie, um ladrão desesperado para tirar o irmão com problemas mentais da cadeia. Afinal, a culpa é dele, já que o irmão foi preso durante um assalto fracassado planejado por Connie. O sufoco que o ladrão passa, armando planos que nunca dão certo para salvar o irmão, garante a Pattinson a melhor performance de sua carreira. A seguir, a entrevista que ele concedeu à IstoÉ.

DESAFIO Robert Pattison (centro) interpreta o ladrão Connie, em “Bom Comportamento” (Crédito:Divulgação)

“A sensação de ser caçado é algo que conheço bem.
Com tanta gente nas ruas, tinha sempre a impressão
de que eu não tinha
para onde correr”.
Robert Pattinson, ator

Por ter alcançado a fama repentinamente, com uma saga juvenil, sentia que precisava se posicionar como ator mais sério na indústria?

Vejo como uma progressão natural. A cada novo papel, estarei sempre tentando provar alguma coisa. Seja para alguém ou para mim mesmo. O primeiro passo é sempre conseguir o trabalho.

Buscava um papel que não se apoiasse na sua aparência, para quebrar a imagem de galã?

Queria me envolver em filme que não me entediasse (risos). Pelo último trabalho dos Safdie, “Amor, Drogas e Nova York”, de 2014, sabia que eles exigiriam uma performance mais intensa de mim, com energia diferente e ritmo mais acelerado. Nenhum dos meus agentes sabia quem eles eram…

Interpretou isso como um bom sinal?

(Risos). Com o tempo, aprendi que tinha de ser proativo. Antes eu achava que tinha de esperar o convite chegar pelos meus agentes, como se as novas propostas fossem responsabilidade deles. Não é verdade. Ninguém sabe melhor do que eu o que sou capaz de fazer. Agora eu mesmo contato os diretores com quem quero filmar.

Como lida com a fama hoje, passada a fase mais agressiva de assédio?

Ninguém é tão famoso hoje quanto as pessoas que estão no Instagram. Quem não tem conta lá, como eu, não existe (risos). É ótimo não precisar me preocupar mais se serei seguido por todos os lugares, o que sempre acontecia. Era tão estressante que eu não conseguia ver nada quando saía pelas ruas. Não sabia como lidar com os fotógrafos e os curiosos que faziam plantão, estacionando seus carros diante da minha casa. Tinha de passar o tempo todo me escondendo. Aquilo não era vida!

Conseguiu aproveitar essa experiência em “Bom Comportamento”, pelo seu personagem ser perseguido o tempo todo?

Sim. A sensação de ser caçado é algo que conheço bem (risos). Ter rodado o filme em Nova York também ajudou, por me traz lembranças complicadas. Com tanta gente nas ruas, tinha sempre a impressão de que eu não tinha para onde correr, quando me reconheciam por lá. Tive de aprender a mudar um pouco a minha postura corporal, para não chamar a atenção no meio da multidão.

Quais as estratégias que usava, além do disfarce habitual do moletom com capuz?

Além de esconder o meu rosto, com capuz e óculos escuros, procurava não andar sozinho nas ruas. Sempre que via um grupo de três, eu me colocava atrás deles, para dar a impressão de que estávamos juntos. Felizmente, isso já não é mais necessário, desde que deixei os EUA e voltei a morar na Inglaterra, onde o nível de assédio é muito mais aceitável. Mas não foi só isso que me ajudou a ter uma vida normal.

O que foi?

A cultura dos paparazzi mudou muito nos últimos anos. Como todo mundo se expõe no Instagram, inclusive os atores de cinema, não há mais valor nas imagens feitas por paparazzi. O Instagram destruiu os paparazzi. As pessoas que compram as revistas de fofoca também não estão mais interessadas em nós, atores. Eles só querem saber da família Kardashian. Agradeço as Kardashians por terem tornado a minha vida mais fácil (risos).

O que mais se lembra da sua passagem pelo Brasil, para rodar a lua de mel dos vampiros de “Crepúsculo”, em 2010?

Não vi muita coisa, além das locações e do hotel onde fiquei, no Rio. Foi louco perceber como os fãs gritavam do lado de fora do hotel. Faziam isso o tempo todo, mesmo sem ninguém do filme por perto.