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O golpe fracassado

Eduardo Cunha é um deputado que foi eleito várias vezes e chegou a presidir a Câmara. Por conta de suas medidas populares, desafiou as elites do país, e acabou sendo perseguido por um juiz partidário. Mas, felizmente, um desembargador corajoso aproveitou um plantão de domingo e mandou a Polícia Federal soltá-lo, insistindo três vezes na ordem. Vários foram para a porta da prisão gritar “guerreiro do povo brasileiro”.

A mídia golpista aponta o elo do desembargador com o MDB, alegando que ele foi advogado do partido por duas décadas, foi indicado ao cargo pelo presidente Michel Temer e trabalhou com caciques do partido, além de ter doado pessoalmente dinheiro para a campanha de um deles. Mas é tudo parte do mesmo golpe das elites, claro, pois temem que Cunha possa disputar cargos políticos de forma democrática.

O leitor que ainda não abandonou a coluna deve achar que surtei. Mas calma. Vamos agora trocar Cunha por Lula, MDB por PT e Temer por Dilma. Temos, agora, a narrativa que a quadrilha petista usou para justificar a escancarada tentativa de golpe no domingo passado, com o protagonismo do desembargador Rogério Favreto. O absurdo do discurso salta aos olhos mais fácil quando imaginamos outros personagens envolvidos.

Isso se deve às décadas de lavagem cerebral no Brasil, com o monopólio das virtudes por parte dos socialistas. Como eles — e só eles — “importam-se” com os mais pobres, todo ataque contra o PT se deve ao ódio da elite perversa que pretende preservar o sistema explorador. E com essa desculpa uma turba de marginais chegou ao poder e até hoje tenta se blindar da Justiça e das críticas.

Nada disso seria possível sem a conivência da própria elite. Não foi o “povão” que colocou o PT no poder, mas sim os professores, artistas, empresários, freis e jornalistas. Foram esses que venderam aos leigos a ideia de que Lula era um redentor dos oprimidos e o PT sinônimo de “justiça social”, e que impediram qualquer debate sério sobre os fatos.

Sem o duplo padrão a esquerda radical não iria a lugar algum. Ela precisa dessa régua diferenciada que mede os outros de uma forma, e ela mesma de maneira completamente diferente. Funciona como a mente de um racista fanático, que só consegue ver raças inferiores e superiores na frente, de acordo com a cor da pele. Troca raça por ideologia e temos o petismo.

No filme “Tempo de matar”, o advogado, personagem de Matthew McConaughey, convence o júri quando conta uma história do estupro de uma menininha, e depois pede que fechem os olhos e imaginem que ela é loira. Colocar-se na pele do outro, eis a receita para combater o racismo. O mesmo pode ser dito aos esquerdistas: imaginem que o preso que seria solto nesse golpe fajuto fosse o Cunha. Qual seria o veredicto?

Não foi o “povão” que colocou o PT no poder, mas sim os professores, artistas, empresários, freis e jornalistas


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