O gene da festinha

Recente estudo do Royal College de Londres descobriu que alguns seres humanos nascem com uma mutação genética que afeta o gene do bom-senso.

Essa mutação faz com que o portador seja incapaz de controlar seus impulsos quando ouve as palavras “festa”, “balada” ou “rave”, por isso, foi batizada de Festogênia.

Para nós, seres humanos normais, pode parecer ridículo.

Difícil compreender como alguém pode ter dificuldade em conter o ímpeto de festejar, pensam aqueles que, numa festa de casamento, por exemplo, sempre precisam ser arrastados para a pista.

Os festogênicos não.

Esses dançam até quando o garçom derruba a bandeja.

Aposto que você conhece o tipo.

São consumidores contumazes de colares havaianos e vuvuzelas.

Ao menor sinal de uma bagunça, são os primeiros a fazer um trenzinho e se perderem no salão.

Carnaval para eles é o ponto alto do ano. De preferência na Bahia.

Antes da pandemia, não era fácil reconhecê-los, porque festas e reuniões não estavam proibidas, então mutantes
e não mutantes se misturavam e sempre acabavam enchendo a cara em algum boteco. Aí faltavam ferramentas para saber quem era quem.

Apesar de que, desconfio, os festogênicos eram os que mandavam “Sextou!” no grupo de WhatsApp da família.
Também acho que eram os que no meio de reuniões de trabalho sugeriam:

— Deu né? Vamos de Happy Hour? Hein? Hein? Alguém?

Os festogênicos geralmente são sujeitos boa praça.

Indivíduos perfeitos para que a gente pergunte:

— E aí? Qual a boa de hoje?

Sempre sabem a resposta.

Em suas agendas tem sempre uma balada, uma festinha secreta, o show de um DJ qualquer.

E até o início da pandemia, eram inofensivos.

Ocorre que, de alguns meses para cá, os festogênicos passaram a ser um grupo perseguido pela sociedade.
Párias mesmo.

Tudo porque, não importa os números da Covid-19, ou as restrições em suas cidades, os festogênicos não conseguem se controlar.

É mais forte que eles, coitados.

Então continuam se reunindo em festas que varam as noites, orgias virais, a despeito dos riscos.

E não ache que fazem isso em apoio ao presidente Bolsonaro. Nada disso.

Nessas festas proibidas você encontra Bolsonaristas, Lulistas, Ciristas e até alguns que votaram no cabo Daciolo.
Apoiadores da Marina, é verdade, são raros porque não primam pela animação.

O fato é que os festogênicos estão lá porque são motivados pela genética e não pela política.

Muitos deles compreendem o risco de participar de um encontro nos dias de hoje e são favoráveis ao isolamento, desde que não esteja tocando Alok.

E correm o risco com ou sem máscara porque, afinal, festa sempre tem umas bebidinhas e os festogênicos não costumam perder a chance de uns bons drinks.

Aí já viu.

Combinando suas animações genéticas com uns dois ou três copos de caipirinha, as máscaras perdem muito da importância e mesmo os mais cuidadosos acabam por ceder à tentação e são vistos pelo salão de língua de fora como
se a pandemia já tivesse acabado há décadas.

Por mais que se tente coibir essas pessoas, na semana seguinte estão lá de novo, dançando, pulando e distribuindo perdigotos como se não houvesse amanhã

A verdade é que, nas últimas semanas, as polícias em todos os estados têm invadido dezenas, centenas até, de reuniões de festogênicos.

Por mais que tentem coibi-los, na semana seguinte estão lá de novo, dançando, pulando e distribuindo perdigotos como se não houvesse amanhã.

Se você conhece alguém que apresenta esse tipo de sintoma, a Organização Mundial da Saúde recomenda que reporte para as autoridades o nome do infeliz para que possa ser feito o monitoramento de suas atividades.

O estudo que identificou essa mutação ainda está no início, e a comunidade cientifica aguarda ansiosa por novas conclusões. Principalmente sobre a suspeita de que estes indivíduos sofrem também de outra profunda metamorfose, essa muito comum, conhecida pelo nome de “estupidez”.


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