Comportamento

O fim de uma era

O desligamento do sinal analógico de TV na capital paulista e em 38 municípios de seu entorno está marcado para 29 de março. A mudança traz mais qualidade de imagem e som ao telespectador e pode forçar um rearranjo de forças entre a TV paga e a TV aberta

O fim de uma era

Depois de mais de seis décadas de transmissão ininterrupta, o sinal analógico de TV deve sair do ar para os cerca de 20 milhões de habitantes da região metropolitana de São Paulo no dia 29 de março. No lugar do sinal analógico, a capital e 38 municípios de seu entorno passarão a receber o sinal digital. Isso significa que, a partir da data, quem tentar sintonizar um canal da TV aberta usando uma antena e um decodificador analógicos não verá nada além de chuvisco. Quem estiver pronto para o sinal digital receberá, gratuitamente, imagem e som dos canais abertos sem fantasmas, chiados e interferências (leia quadro). “É o fim de uma era”, diz Cristiano Akamine, coordenador do Laboratório de TV Digital da Universidade Mackenzie, em São Paulo. “E a população vem sendo avisada da mudança há mais de um ano”, afirma. O que não significa que todos estão prontos para a troca.

Na Grande São Paulo, a estimativa é de que 86% dos moradores já recebem o sinal digital e estão aptos a reproduzir conteúdo no formato. O índice pode parecer alto, mas, de acordo com as regras que regem a transição para o digital, para que a troca aconteça essa proporção precisa ser de, no mínimo, 93%. Com margem de erro de três pontos percentuais, a meta cai para 90% – quatro pontos percentuais acima da proporção atual. Isso a menos de 30 dias da troca. “Dizem que o brasileiro deixa tudo para a última hora”, diz Antonio Marteletto, presidente da Seja Digital, entidade criada para facilitar a transição para o digital. “Mas não somos só nós”, afirma. No mundo, parte importante dos telespectadores só começou a se movimentar depois que o sinal analógico foi, efetivamente, desligado.

DIGITAIS Boa parte das televisões vendidas a partir de 2010 está pronta para o sinal digital
DIGITAIS Boa parte das televisões vendidas a partir de 2010 está pronta para o sinal digital

Para chegar aos 90% até 29 de março, a Seja Digital tem distribuído, gratuitamente, kits de TV digital com antena, receptor e controle remoto para cadastrados em programas sociais do governo federal. Com o kit, até televisores antigos – são 46 milhões no País – passam a reproduzir o sinal digital. Dos 1,8 milhões de kits separados para distribuição na Grande São Paulo, a entidade entregou pouco mais de 600 mil. As sobras serão usadas nas transições de outras cidades. “Também trabalhamos para informar a população da alteração”, afirma Marteletto. Na quinta-feira, a entidade fechou parceria com a Prefeitura de São Paulo para criar pontos de apoio e informação na capital paulista. Campanhas de esclarecimento sobre as mudanças também vêm sendo veiculadas em canais de TV e nas mídias sociais. “Estamos próximos do índice de 90%”, diz Akamine. “Não acho que haverá atrasos, como houve na transição de Rio Verde e Brasília”, afirma.

POLÊMICA
Um imbróglio se anuncia com o desligamento do sinal analógico de TV na cidade de São Paulo e arredores. Com o fim da TV analógica, as TVs por assinatura ficam desobrigadas de retransmitir os sinais digitais dos canais abertos. A retransmissão até pode acontecer, mas depende de um acordo entre as partes. E Record, SBT e RedeTV!, que se organizaram sob a Simba para defender seus interesses, têm dado sinais de que querem ser remuneradas pela retransmissão de seus sinais. Para Oscar Simões, presidente da Associação Brasileira de Televisão por Assinatura (ABTA), “não é possível propor qualquer aumento de preço nos pacotes de TV por assinatura” para acomodar uma eventual cobrança das TVs abertas. Procurados, os canais abertos que estariam envolvidos nas negociações preferiram não se manifestar. Em breve, porém, a concretização do desligamento do sinal analógico forçará uma decisão dos envolvidos. A torcida é para que o telespectador saia vitorioso dessa disputa.

O que muda com a chegada da TV digital
Não é só a qualidade de imagem que melhora

IMAGEM
A TV digital entrega uma imagem com resolução mínima de 704 por 480 pixels na proporção 16:9, conhecida como “widescreen”. Na TV analógica, a resolução era de 480 por 360 pixels e a proporção de imagem de 4:3, a “janela clássica”.

SOM
Na TV digital, o som pode ser transmitido em até seis canais digitais, o que garante qualidade que se equipara à oferecida pelos cinemas e os sistemas de home theater. Na TV analógica, o som era transmitido em, no máximo, dois canais (estéreo).

INTERATIVIDADE
Na TV digital, além de imagem e som, os canais podem transmitir informações como guias de programação, dados relativos ao conteúdo sendo apresentado e até fazer o papel de uma internet rudimentar, com envio de alertas e notificações.

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