O fator Moro

Crédito: Tânia Rêgo/Agência Brasil

(Crédito: Tânia Rêgo/Agência Brasil)

Gostem ou não dele, o ministro da Justiça, Sergio Moro, é a autoridade pública mais popular do País na atualidade. Mais do que Bolsonaro, mais do que Lula, enfim, mais do que qualquer político brasileiro. Portanto, ele poderá ser a figura central nas eleições de 2022. Ou não. Tudo vai depender do que o presidente da República traçar para ele neste ano. Se Bolsonaro aproveitar a vaga de ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), que ficará disponível em novembro com a aposentadoria de Celso de Mello, e a destinar a Moro, conforme prometeu inúmeras vezes, o desfecho sobre o futuro do ex-juiz da Lava Jato será dado agora em 2020 mesmo. Neste caso, Moro assumiria o Supremo e ficaria definitivamente afastado da política, encerrando a carreira como magistrado.

Candidato

Por outro lado, se Bolsonaro não o indicar para o STF, terá que conviver com a sombra do ministro até 2022. Afinal, por ser o ministro mais popular, certamente Moro terá espaço para pleitear uma candidatura a presidente. E isso não vai mais depender só do desejo de Bolsonaro. Se o cavalo passar arreado, é possível que Moro monte.

Chances

A candidatura de alguém que vence Bolsonaro e Lula no segundo turno — conforme dados do Datafolha — não pode ser desprezada. Não é à toa que o próprio presidente pensa em lançá-lo como vice em 2022, para formar uma “chapa imbatível”. Assim, o destino de Moro na sucessão de 2022 será selado por Bolsonaro ainda neste ano.

Cassado o “rei do helicóptero”

O ex-deputado Eurípedes Júnior (GO) foi destituído do cargo de presidente do Partido Republicano da Ordem Social (Pros) por unanimidade dos integrantes do Diretório Nacional do partido. Ele é acusado de desviar parte dos R$ 17 milhões anuais que a sigla recebia do fundo partidário para comprar vários bens imóveis e móveis, incluindo um helicóptero avaliado em R$ 2,4 milhões. O Pros em 10 deputados.

 

Rápidas

* Paulo Guedes deve abrir os olhos. A inflação em 2019 chegou a 4,31%, acima do centro da meta, de 4,25%. O que mais pesou foi a alta no preço da carne, que atingiu o absurdo aumento de 32,40% no ano. Inadmissível em um País com 200 milhões de cabeças de gado.

* A gasolina também vem subindo acima da inflação. O preço de um litro do combustível custa quase R$ 5 em muitos postos do Brasil afora. O álcool também está nas alturas, mesmo antes da guerra entre os EUA e Irã.

* Ao dizer que vai subsidiar a luz para igrejas, Bolsonaro se esquece de que o estado é laico. Por que só as igrejas, que já não pagam impostos no Brasil, podem ter mais essa regalia? Por que não hospitais também?

* Caso o PSL não regularize as contas do diretório estadual do partido em São Paulo, a deputada Joice Hasselmann não terá condições de ser candidata a prefeita da capital paulista pelo partido em outubro.

Retrato falado

Valter Campanato/Agência Brasil

O governador do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB), defende a criação de uma frente ampla para superar a polarização entre os bolsonaristas e lulistas nas eleições municipais de outubro. Dino acha que a esquerda não pode depender só de Lula e que os partidos que compõem esse espectro devem se aliar a partidos de centro para ampliar o raio de ação. Ele já se encontrou com Luciano Huck e propõe reuniões com mais gente do centro, como o presidente da Câmara, Rodrigo Maia.

Toma lá dá cá

Henrique Meirelles, Secretário da Fazenda

Por que o PIB do estado de São Paulo cresceu 2,6% em 2019, bem acima do aumento de 1% do PIB brasileiro?
Isso aconteceu em função da política de apoio do governo paulista ao desenvolvimento de vários setores da nossa economia. Graças a isso, geramos 291 mil novos empregos.

Qual é a importância de o estado crescer acima da média nacional?
Se São Paulo fosse um País, o estado registraria em 2019 a quinta maior taxa de crescimento do mundo, ficando atrás da Índia (+6,1%), China (+6,1%), Indonésia (+5%) e Paquistão (+3.3%). Ficamos à frente até dos EUA, que cresceram 2,4%.

O estado continuará nesse ritmo em 2020?
Sim. Este ano deveremos crescer 3%, como reflexo da política de estímulos à iniciativa privada.

Políticos blindados

O fim do foro privilegiado para crimes comuns cometidos pelas autoridades, incluindo juízes e membros do MP, deverá ser votado ainda este ano, mas não vai ficar de graça: os políticos querem manter prerrogativas.

O projeto, de iniciativa do senador Alvaro Dias, foi aprovado no Senado há dois anos, mas estava engavetado na Câmara. De acordo com o projeto do Senado, terão foro especial apenas o presidente da República, o vice, e os residentes da Câmara, Senado e STF. Os deputados não queriam perder o foro especial de jeito nenhum. Para viabilizar a votação na Câmara, os líderes das bancadas fizeram um acordão, com o aval de Rodrigo Maia.

O acordão

Por esse acordo, os deputados não poderão ter a prisão decretada por um juiz de primeira instância. Só por tribunais superiores, o que não deixa de ser uma espécie de foro especial. De qualquer forma, alguma coisa mudará: a maioria das 54,9 mil pessoas com direito ao foro privilegiado perde a regalia.

Fundo da vergonha

Bolsonaro deve sancionar, até o próximo dia 20, o fundo de R$ 2 bilhões para ser torrado nas campanhas eleitorais deste ano. O dinheiro é proporcional ao número de deputados que cada partido tem na Câmara. Por exemplo, o PSL terá R$ 202 milhões, o PT, R$ 200 milhões, e o MDB, R$ 147 milhões. Só esses três maiores gastarão meio bilhão de reais.

Marco Ankosqui

O exemplo do Novo

O Novo, presidido por João Amoêdo, será o único partido que não aceitará um único centavo de dinheiro público para tocar suas campanhas. O partido terá direito a R$ 36 milhões, mas Amoêdo já disse que vai dispensar os recursos, prometendo fazer campanha apenas com os valores arrecadados junto aos seus filiados. Um exemplo a ser seguido.

O comilão

Divulgação

O deputado Zeca Dirceu (PT-PR) tem por hábito comer bem às custas do dinheiro da Câmara. Nos 8 primeiros meses de 2019,
foi reembolsado em R$ 11,563,64 por almoços em Brasília. Em junho, recebeu de volta os R$ 220,00 que gastou no Francisco Restaurante, onde comeu bacalhau na brasa e tomou vinho chileno.

 


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