Ciência

O espaço é privatizado

Com a missão tripulada bem-sucedida do foguete Falcon 9, Elon Musk sai na frente na corrida espacial privada. Os bilionários Richard Branson e Jeff Bezos, da Amazon, também estão nessa disputa

Crédito: Philip Pacheco / AFP

MISSÃO CUMPRIDA A SpaceX, do bilionário Elon Musk (segundo, da esquerda para a direita), inaugurou uma nova era na corrida espacial (Crédito: Philip Pacheco / AFP)

SUCESSO A cápsula Dragon, levada ao espaço pela nave Falcon 9, se acoplou à Estação Espacial Internacional no último dia 31. Sua jornada durou 19 horas (Crédito:Divulgação)

O fascínio do homem pelo espaço tem desafiado os esforços de países, cientistas e empreendedores. A corrida pela conquista espacial começou com a disputa entre União Soviética e Estados Unidos, durante a Guerra Fria, ainda nos anos 1950. Alternadamente, as duas potências econômicas e bélicas mostraram todo seu poderio já nos anos 60, com êxito em suas expedições. Além da rivalidade ideológica e política, a quebra dos limites tecnológicos inspirou, na sequência, a indústria cinematográfica. O imaginário das pessoas foi trabalhado durante décadas e muitas crianças sonhavam com a profissão de astronauta. Alguns, muito poucos, se tornaram bilionários e conseguiram até virar donos de naves espaciais — como o sul-africano Elon Musk.

No dia 30 de maio, ele conseguiu inaugurar uma nova etapa na história da corrida espacial, quebrando meio século de monopólio das nações. Sua companhia SpaceX foi responsável pela viagem do foguete Falcon 9 para a Estação Espacial Internacional, uma jornada que durou 19 horas e percorreu 400 km. Ela partiu do Centro Espacial Kennedy (Flórida/EUA) com dois tripulantes – os astronautas Bob Behnken, 49 anos, e Doug Hurley, 53 anos –, e se atracou na estação com precisão, completando com sucesso a primeira viagem tripulada de uma empresa particular. Com ela, o espaço começou a ser privatizado.

RETORNO As ações da montadora Tesla, de Musk, subiram 18% em um mês. Atribui-se o resultado ao sucesso da empreitada espacial do bilionário

As interrogações sobre o potencial de retorno de uma empresa privada no setor logo foram respondidas. Com o anúncio do lançamento do foguete, somente a Tesla, a montadora pioneira de carros elétricos de Musk, viu, em um mês, suas ações aumentarem 18% na bolsa Nasdaq. Mas o investimento público foi essencial para a Space X. A Nasa, desde 2011, concedeu aporte de US$ 3 bilhões para o lançamento da Falcon 9. A companhia ainda tem um contrato de US$ 500 milhões para construir uma rede de microssatélites de conexão à internet. Entusiasta da vida fora do planeta e embaixador das viagens espaciais para civis, Musk já fechou negócio com o turismo em órbita. Em 2018, garantiu uma passagem para outro bilionário, o japonês Yasaku Maezawa, em um voo ao redor da Lua — dessa vez, será no foguete Big Falcon. Os valores não foram revelados, mas Musk afirmou que estaria recebendo muito dinheiro pela viagem.

DOS DISCOS AO ESPAÇO

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ACIDENTE Apesar de um acidente ter desacelerado o processo de seus investimentos, Richard Brason segue firme na disputa espacial (Crédito:Divulgação)

O britânico Richard Branson segue os passos de Musk na corrida espacial privada. O empreendedor iniciou sua trajetória profissional com uma loja de discos nos anos 70. O sucesso fez a Virgin Records crescer muito e virar uma gravadora. Nos anos 2000, o agora multimilionário Branson criou a Virgin Galatic, um braço da Virgin Group que reúne companhias aéreas e ferroviárias, uma operadora móvel e empresas de mídia. Em 2014, um acidente fez o projeto ser desacelerado. A nave Enterprise explodiu após separar seus módulos e causou a morte do astronauta Michael Alsbury. Em 2018, A Virgin Galactic fez uma viagem de teste de altitude com 80 quilômetros de distância e dois pilotos. O que não foi suficiente para chegar à órbita, mas reposicionou Branson na disputa. O empresário se destaca por pensar no espaço como um lugar a ser explorado por turistas. Diferente dos negócios de Elon Musk, o britânico quer contar com turistas que invistam cerca de R$ 250 milhões para dar um passeio despretensioso pela órbita da Terra.

O MAIS RICO DO MUNDO

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SONHO O multimilionário Jeff Bezos também participa da corrida pela conquista do espaço com investimento de US$ 2,5 bilhões (Crédito:Divulgação)

O americano Jeff Bezos é o terceiro bilionário da corrida. Homem mais rico do mundo, tem uma fortuna avaliada em US$ 148 bilhões. CEO da Amazon, segunda companhia do mundo a superar o valor de US$ 1 trilhão de mercado, ele garante que em 2021 a sua nave Blue Origin vai triunfar no espaço. Bezos diz que investiu US$ 2,5 bilhões na nave New Glen, com 300 metros de altura, que promete ser reutilizável. O empresário desconsiderava o aporte de recursos do governo americano no início da empreitada, mas desde 2018 mudou de posição. Atualmente, participa de concorrências para oferecer produtos espaciais.

NOVO MUNDO

A corrida espacial inaugurou um novo mundo. As cifras envolvidas estavam além da capacidade de investimento das empresas. Essa barreira, agora, começa a ser superada por empreendedores visionários e multimilionários. Ainda é bem cedo para avaliar quanto tempo será necessário para que tripulações de civis tenham acesso ao serviço. Talvez, nem mesmo seja essa a intenção. O fato é que a iniciativa privada agora é a dona da bola. A Nasa, que conseguiu levar o homem à lua em 1969, continua sendo uma importante instituição do governo norte-americano, mas parece que tem futuro muito mais próximo de uma agência reguladora do que de uma concorrente tecnológica. Os custos envolvidos apontam que é mais barato desenvolver projetos no campo privado. A utilização do marketing a serviço das empresas promete ser uma grande arma para a arrecadação de recursos. A disputa, no final, será daqueles meninos que um dia sonharam em ser muito mais do que astronautas.

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