Comportamento

O enigma de Machu Picchu

Teoria de geólogo gaúcho desvenda mistério da cidade perdida e prova que os incas faziam suas construções sobre falhas geológicas, nas quais obtinham pedras quebradas para suas construções

Crédito: Picasa

ESTRATÉGIA Incas evitavam fundos de vale e encaixavam suas cidades em crostas montanhosas (Crédito: Picasa)

As pedras de várias formas geométricas arranjadas com precisão nas construções da cidade perdida de Machu Picchu, no Peru, sempre foram um mistério. Desde que o explorador norte-americano Hiram Bingham descobriu o local, em 1911, se indagava quais seriam os motivos dos incas terem feito uma construção grandiosa em um ponto tão alto e isolado. A resposta veio agora com uma tese do geólogo gaúcho Rualdo Menegat, professor do departamento de Paleontologia e Estratigrafia do Instituto de Geociências da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Menegat, que estuda Machu Picchu desde 1999, chegou à conclusão de que a cidade não foi fruto de um capricho civilizatório, mas de uma oportunidade geológica. Segundo ele, falhas rochosas na crista montanhosa propiciaram um local seguro e abastecido de água e garantiram as pedras necessárias para a construção. “Os incas foram a única civilização que domesticou montanhas”, afirma o geólogo. “Eles foram capazes de encontrar janelas de habitabilidade humana no inóspito mundo andino”.

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“Os incas foram a única civilização antiga que domesticou montanhas” Rualdo Menegat, geólogo da UFRGS (Crédito:Divulgação)

Diferentemente do que se pensava, Menegat prova que as pedras não foram levadas até o alto da montanha e nem cortadas pelos incas, mas obtidas na própria falha geológica. “As fraturas que se cruzam no topo da montanha e formam um X também ocorrem em um nível mineral. É como um pacote fechado de bolachas em que as bolachas se quebram e ficam esmigalhadas na falha”, explica. Diante disso, havia facilidade para extrair as pedras quebradas para erguer monumentos, muros e construir escadas. Os incas não precisaram cortar pedras para fazer suas edificações, mas apenas selecioná-las e poli-las para conseguir um encaixe perfeito. A falha geológica, além do mais, permitiu que a cidade fosse encravada na crosta montanhosa de maneira firme e segura. “Os incas fugiam dos fundos de vale andinos, que eram proibitivos para a ocupação”, diz.

Imagens de satélite

Nos seus estudos, Menegat mostrou que Machu Picchu não é uma exceção. Outras cidades como Ollantaytambo, Pisac e Cusco seguiram a mesma estratégia de construção e foram erguidas sobre rochas fraturadas, num cruzamento de falhas geológicas. Para concluir seus estudos, o geólogo fez quatro expedições para o Peru e teve apoio de cientistas locais. Analisando imagens de satélite, comprovou que a direção das paredes e das escadarias da cidade, situada a 2,43 mil metros de altitude, coincidiam com as linhas das falhas geológicas. Em setembro, ele apresentou seu trabalho no Congresso de Geological Society of America (GSA) e, entre quatro mil estudos, foi escolhido como um dos mais importantes. Sua tese já foi divulgada em 15 idiomas e publicada em revistas como Science e National Geographic. Por sua contribuição ao conhecimento da cultura inca, Menegat recebeu o título de doutor honoris causa da Universidade Ada Byron, no Perú. “Os incas eram mestres das pedras e sua civilização revela uma estratégia de sobrevivência nos Andes”, conclui.

 

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