O longa ‘O Enfermeiro da Noite’, disponível na Netflix desde 2022, voltou a ganhar repercussão após a prisão de três técnicos de enfermagem acusados de provocar a morte de pelo menos três pacientes na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Anchieta, em Taguatinga (DF).
Estrelado por Eddie Redmayne e Jessica Chastain, o filme é inspirado em fatos reais e retrata a trajetória de Charles Cullen, um enfermeiro norte-americano que se tornou um dos serial killers mais conhecidos dos Estados Unidos. Atuando em hospitais de Nova Jersey, Cullen matou dezenas de pacientes ao longo de 16 anos de carreira.
De acordo com as investigações, ele provocava as mortes por meio da administração excessiva de medicamentos. Em depoimentos, alegava que acreditava estar poupando os pacientes de sofrimento prolongado e tratamentos agressivos.
Charles Cullen foi detido em 12 de dezembro de 2003, quando trabalhava na UTI de um hospital em Nova Jersey. Em março de 2006, recebeu a condenação de 11 penas de prisão perpétua e segue encarcerado na Prisão Estadual de Nova Jersey, em Trenton.
Caso no DF gera comoção
No Brasil, o caso que trouxe o filme novamente à tona envolve os técnicos de enfermagem Marcos Vinícius Silva Barbosa de Araújo, Amanda Rodrigues de Sousa e Marcela Camilly Alves da Silva. Eles são suspeitos de matar João Clemente Pereira, de 63 anos, servidor da Caesb; Marcos Moreira, de 33 anos, funcionário dos Correios; e Miranilde Pereira da Silva, professora aposentada de 75 anos.
Até o momento, a motivação dos crimes permanece sob investigação.
A denúncia partiu do próprio Hospital Anchieta, que identificou comportamentos fora do padrão relacionados aos profissionais na UTI. Em nota, a instituição informou que abriu apuração interna por iniciativa própria antes de comunicar o caso às autoridades.
O delegado responsável pela investigação, Wisllei Salomão, detalhou a dinâmica da atuação dos suspeitos e revelou que, em uma das ocorrências, um dos técnicos teria aplicado no paciente um produto químico utilizado na limpeza hospitalar.
Segundo Wisllei Salomão, inicialmente os investigados alegaram que apenas cumpriam prescrições médicas. No entanto, diante das provas reunidas, acabaram confessando os crimes. Ainda de acordo com a polícia, os suspeitos demonstraram frieza durante os depoimentos, não apresentaram arrependimento e não explicaram o que os levou a cometer os atos.
Ao fim da apuração, a investigação deverá indiciar os suspeitos pelo crime de homicídio doloso qualificado, com impossibilidade de defesa da vítima.