O efeito Bruno Covas

Crédito: Adriano Vizon

LEGADO Bruno Covas morreu lutando para viabilizar uma candidatura de centro (Crédito: Adriano Vizon)

A precoce morte do prefeito de São Paulo, Bruno Covas, 41, pode influir nos rumos da sucessão presidencial, especialmente na formatação de uma candidatura da chamada “terceira via” e que tem João Doria como um dos articuladores. Quando se empenhou na reeleição de Covas e chancelou o emedebista Ricardo Nunes como vice, o governador lançou as bases de seu projeto para disputar a presidência, contando com uma aliança entre PSDB, MDB e DEM. Com Nunes à frente da administração da maior cidade do País, o cacife do MDB aumentou e Doria trabalha para assegurar que o partido continue ao seu lado. Para azeitar a parceria, o governador tucano já almoçou com o novo prefeito no Palácio dos Bandeirantes e está intensificando as conversas com Baleia Rossi, presidente nacional da legenda.

MDB

Como parte dessa estratégia, Doria abriu espaço ao MDB em seu governo e nomeou o deputado Itamar Borges, líder do partido na Assembleia de São Paulo, como o novo secretário de Agricultura. Borges é ligado a Baleia. O tucano estreita também relações com Michel Temer, presidente de honra da agremiação: o plano é barrar o assédio de Lula.

ACM Neto

Já a relação com o DEM azedou depois que Doria tirou seu vice Rodrigo Garcia do DEM, e o levou para o PSDB (Covas abonou a ficha de filiação um dia antes de entrar em coma). ACM Neto ficou furioso. Os dois partidos são aliados em campanhas presidenciais há 27 anos, apesar do Democratas estar mais próximo de Bolsonaro.

Alexandre comandará as eleições

Rosinei Coutinho

Os bolsonaristas que ameaçam melar o processo eleitoral em 2022 que se cuidem. O ministro Alexandre de Moraes, responsável pelas investigações contra os atos antidemocráticos no STF, assumirá a presidência do TSE em agosto do ano que vem e coordenará a campanha presidencial. Barroso deixa o cargo em fevereiro e será substituído, durante seis meses, por Edson Fachin. Moraes fica até junho de 2024.

Retrato falado

“Se é crime causar a morte de alguém por omissão ou negligência, imagina quando morrem milhares de pessoas” (Crédito:Pedro França)

Essa advertência foi feita pelo senador Alessandro Vieira em live à ISTOÉ ao analisar a postura negligente de Bolsonaro e do general Pazuello no combate à pandemia. Para ele, o presidente se recusou, deliberadamente, a comprar vacinas oferecidas pela Pfizer ainda em agosto do ano passado, retardando o início da vacinação no Brasil. “Se o governo tivesse comprado as vacinas antes, milhares de vidas poderiam ter sido salvas”, disse o senador, que integra a CPI da Covid.

Mudança inócua

Ao trocar Roberto Castelo Branco pelo general Joaquim Silva e Luna na presidência da Petrobras, Bolsonaro quebrou a cara. O presidente prometia que a nova gestão iria interromper, na marra, os aumentos dos preços dos derivados do petróleo. De pouco adiantou Castelo Branco explicar que a estatal praticava preços com base no mercado internacional, reajustados de acordo com as cotações do dólar. Foi demitido pelas redes sociais. Resultado: mesmo sob nova direção, os produtos da empresa continuam subindo, e muito, porque a Petrobras manteve a política anterior, em decisão comunicada por Luna a investidores e analistas de mercado num evento virtual na sexta-feira, 14.

Ouvidos moucos

O mandatário, porém, insiste em não ouvir a Petrobras. Em visita ao Mato Grosso do Sul, no mesmo dia, Bolsonaro disse que pedirá ao general Luna para a petroleira baixar o preço do gás de cozinha. “Está em R$ 42 e dá para diminuir”, disse o presidente. Ledo engano. Um bujão de gás custa mais de R$ 100.

Causa própria

O senador Omar Aziz, 62, presidente da CPI da Pandemia, tem feito de tudo para evitar a “politização” da comissão, mas revelou à ISTOÉ que tem uma motivação pessoal para que as investigações responsabilizem os culpados pela tragédia que já matou mais de 440 mil brasileiros: seu irmão, dez anos mais novo do que ele, morreu de Covid.

André Corrêa

Mau exemplo

Como ex-governador do Amazonas, Aziz acompanhou o drama dos pacientes de seu estado que morreram asfixiados por falta de oxigênio e essa é outra razão para exigir que o governo mude de postura. Para ele, Bolsonaro só deu maus exemplos, mas o pior foi investir na cloroquina ao invés da vacina. “Esses equívocos custaram muitas vidas”.

O desgaste de Aras

Marcelo Camargo/Agência Brasil

Consciente de que está perdendo a batalha para ser indicado para o STF, Augusto Aras concentra energias para renovar seu mandato na PGR. Ele perdeu ainda mais pontos na escala dos preferidos para a vaga de Marco Aurélio ao acusar de calúnia o professor Conrado Hübner Mendes à comissão de ética da USP: o docente apenas criticou sua atuação na pandemia.

Toma lá dá cá

Rodrigo Maia, ex-presidente da Câmara (Crédito:VANESSA CARVALHO)

Por que o senhor deixou o DEM?
Pelo que sobrou do DEM, ficou uma maioria bolsonarista. Entrei com o pedido de desfiliação no TSE na sexta-feira (14). O DEM é passado para mim.

O senhor vai mesmo para o PSD?
Ainda vou decidir o partido. Só tenho certeza que não vou para um partido que fique com o Bolsonaro. E não pode ser contrao Bolsonaro apenas. Precisamos
construir um projeto de País com menos desigualdade social, menos pobreza e oportunidades iguais para todos os brasileiros.

O que o senhor acha que a CPI da Covid revelou de mais grave até agora?
Acho que o mais grave é a certeza de que o governo não deu a menor importância para as vacinas.

Rápidas

* O deputado Elias Vaz apresentou um projeto de lei para suspender a portaria do Ministério da Economia que permite aos servidores aposentados, mas que continuam na ativa, receber salários acima do teto de R$ 39 mil, entre eles Bolsonaro e os generais Mourão e Ramos.

* Bolsonaro terá um aumento de R$ 2,3 mil e passará a ganhar R$ 41,5 mil. Mourão terá um reajuste de R$ 24 mil e ganhará R$ 63,5 mil. Já o general Ramos receberá um extra de R$ 27 mil e embolsará R$ 66,4 mil.

* Carlos Bolsonaro e Filipe Martins serão convocados a depor na CPI da Covid para explicar por que participaram de reuniões com a Pfizer para a venda de vacinas ao Brasil, quando a função cabia ao general Eduardo Pazuello.

* Os senadores devem ouvir também o deputado Eduardo Bolsonaro sobre a viagem que ele fez ao lado do chanceler Ernesto Araújo a Israel para comprar o ineficaz spray nasal, com despesas pagas pelos cofres públicos.


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