Brasil

O duplo infortúnio de Eike

Duas semanas depois do falecimento de seu pai, o empresário que já foi o homem mais rico do Brasil é condenado a 30 anos de prisão. Queda vertiginosa encerra trajetória de maneira melancólica

Crédito: Luciano Belford

“X” DE XADREZ Eike foi condenado por crimes de corrupção ativa e lavagem de dinheiro (Crédito: Luciano Belford)

Considerado o homem mais rico do Brasil e o 7º do mundo em 2012, com patrimônio avaliado em mais de R$ 30 bilhões, o empresário Eike Batista virou figurinha carimbada nas páginas policiais de 2017 para cá. Preso em janeiro do ano passado na operação Eficiência, um desdobramento da Lava Jato no Rio de Janeiro, por ter pago propina ao ex-governador do estado Sérgio Cabral, Eike Batista foi condenado na terça-feira 3 pelo juiz Marcelo Bretas a 30 anos de prisão por crimes de corrupção ativa e lavagem de dinheiro — quinze dias depois do falecimento de seu pai, Eliezer Batista da Silva, ex-presidente da Companhia Vale do Rio Doce e ex-ministro de Minas e Energia. O ex-bilionário é acusado de ter repassado US$ 16,5 milhões (cerca de R$ 53 milhões) em vantagens indevidas a Sérgio Cabral. Em troca, as empresas de Eike seriam beneficiadas em contratos com o governo do Rio de Janeiro durante a gestão do ex-governador hoje preso. Na sentença, Bretas teceu duras críticas à conduta do empresário. “A arquitetura criminosa foi engendrada pela própria empresa (de Eike). Trata-se de pessoa que, a despeito de possuir situação financeira abastada, revelou dolo elevado em seu agir”, afirmou o magistrado.

A decadência

Poucas pessoas no Brasil encarnam a rápida ascensão e queda tão bem quanto Eike Batista. O empresário sempre desfrutou do bom e do melhor. Estudou na Suíça, Alemanha e Bélgica e é fluente em cinco idiomas. De volta ao Brasil no início dos anos 1980, deu os primeiros passos para amealhar fortuna. Dedicou-se ao comércio de ouro e diamantes, e aos 29 anos, fundou seu primeiro grupo empresarial. Em 2011, lançou o livro “O X da questão”, que conta sua ascensão no mundo dos negócios com dicas de empreendedorismo. Eike costumava batizar suas empresas sempre usando no nome a letra X. Depois de figurar no ranking dos dez homens mais ricos do mundo, Eike viu sua fortuna ruir. Em 2014, seu patrimônio foi reduzido a US$ 1,4 bilhão negativo. Em fevereiro de 2015, bens de Eike e seus familiares foram bloqueados. O auge da decadência de Eike veio com a prisão na Lava Jato. O empresário, que um dia sonhou em ser o homem mais rico do mundo, agora terá de amargar muitos anos na prisão em condições bem diferentes das que se acostumou a vida inteira.

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