O dr. Bolsodeus e a maldita Cloroquina

Deus é mais Brasileiro do que a gente acha. Ele poderá mesmo ser o presidente Brasileiro. Porque Jair Bolsonaro pratica a onipotência como um deus do Olimpo. O que é que eu sou, o que é que eu sou, o que é que eu sou? Sois Deus. E ministro da saúde.

As opiniões se dividem. Bolsonaro quer a cloroquina, a abertura, academia, salão de beleza, barbeiro e manicure. Seus ministros da saúde e governadores estaduais querem distanciamento social, máscaras e ventiladores. Quem tem razão? Pode ser o Jô Soares.

Esta história podia até virar show de audiência se no meio de campo não estivessem morrendo milhares de brasileiros com nome, morada e CPF, vítimas desta insanidade.

No meio da maior urgência sanitária da história recente, a crise política no Brasil toma hoje proporções extraordinárias. Em menos de 30 dias dois médicos servindo como ministros da saúde porque disseram o que presidente não quer ouvir e fizeram o que o presidente não quer fazer, acabaram demitidos.

Eu quero a Cloroquina!­ Grita o dr. Bolsonaro no Planalto… e pode até acontecer que o próximo ministro da saúde seja um almirante. Avante Cloroquina! Se gritará da proa!

Tanta esquizofrenia podia ser até roteiro de ópera bufa ou de filme de Hollywood, mas não é. É apenas o pulsar de um relógio trágico que, ao mesmo tempo que conta o tempo que resta a Bolsonaro como presidente, também conta os mortos de um povo que sofre no meio da loucura que contaminou a independência das suas instituições e a moral dos seus políticos.

Encurralado entre os escândalos envolvendo seus filhos, o conflito aberto com Sérgio Moro e a sua ideia insustentável sobre a pandemia, Bolsonaro se abriga no único lugar que o aceita: o Centrão. Mas aqui ele não encontrará nenhuma solução ou alívio, apenas o mesmo que encontraram todos os outros que antes recorreram ao sistema hipócrita do equilibro dos poderes: Traição e Impeachment.

Dói ver, dói ouvir, envergonha e dá vontade de chorar. A teimosia de um presidente encurralado entre o fim à vista e a imoralidade de um sistema político que se aproveita do seu desnorte para conseguir mais poderes e benesses.

Devia haver alguém que pudesse por cobro a isto. Que mandasse todo o mundo para casa calar a boca e aprender com os erros e a experiência dos outros países que viveram a pandemia antes do Brasil. Mas não há ninguém.

Apenas o bando de um louco gritando Cloroquina até ficar rouco.

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Sobre o autor

José Manuel Diogo é autor, colunista, empreendedor e key note speaker; especialista internacional em media intelligence,  gestão de informações, comunicação estratégica e lobby. Diretor do Global Media Group e membro do Observatório Político Português e da Câmara de Comércio e Indústria Luso Brasileira. Colunista regular na imprensa portuguesa há mais de 15 anos, mantém coluna no Jornal de Notícias e no Diário de Coimbra. É ainda autor do blog espumadosdias.com. Pai de dois filhos, vive sempre com um pé em cada lado do oceano Atlântico, entre São Paulo e Lisboa, Luanda, Londres e Amsterdã.


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