O dilema de educar

Educar não é tarefa fácil.

Ainda mais quando os filhos chegam naquela idade de escolher uma profissão.

Que conselho dar a seu pimpolho que decidiu por um ofício que não paga bem, ou que é disputado demais, ou para o qual você desconfia que ele não tem o menor talento?

Se seu filho, aquele que é um desastre em matemática, decide pela faculdade de Física, você deve intervir e sugerir alguma alternativa como, sei lá, Letras?

E se ao destruir o sonho do seu pequeno, você estiver também matando um potencial Albert Einstein?

Sou um romântico.

Desses que dizem “o importante é que você faça o que gosta”, mesmo correndo o risco de enfrentarem uma escolha equivocada. Tenho um amigo mais pragmático.

Conta ele que um dia, seu filho de 11 anos voltando da escolinha de futebol, revelou:

— Pai, eu quero ser jogador de futebol.
Meu amigo enfrentou o problema com incomparável coragem:
— Não vai rolar, filho.
— Como assim, pai?
— É que para ser jogador de futebol, tem que ser muito, mas muito bom, filhote. E vamos encarar a realidade: você é ruim.

O menino não respondeu. Apenas olhou para o pai com o queixo tremendo de choro. Mas o pai, implacável, continuou:

— Filho, não chora. São coisas da vida. Não é todo mundo que consegue. Quer ver? Quem é o craque lá da escolinha de futebol?

O garoto responde sem titubear:

— O Cláudio Antônio!
— Então, filho. Já vi o Cláudio Antônio jogar. O Cláudio Antônio até que é bonzinho, mas nem ele vai ser jogador profissional. O pai pensa um pouco e deixa escapar, para si mesmo:

— Nem nome de jogador o moleque tem, coitado.
O menino olha para o pai, desconsolado.
— Então, filhão, o negócio é focar em outra coisa, Engenharia, Direito… porque futebol não vai rolar, tá? Eu sei.

Muita gente pode achar errada a atitude desse meu amigo.

Afinal, é quase impossível saber se a paixão pela profissão não seria capaz de superar até a falta de talento.

Quem garante que meu amigo não destruiu o próximo Neymar?

Ou mesmo o próximo Bilica, centroavante do Esporte Clube Palmital, afinal nem todo jogador precisa ser um craque para realizar o sonho de viver nos gramados.

Por outro lado, tenho que admitir que, em alguns casos, esse tipo de pai pode evitar danos não apenas para o próprio filho como também para a sociedade como um todo.

Quanto mais penso nisso, mais me convenço que essa minha forma humanista de educar pode estar apenas adiando um problema que, mais dia, menos dia, vai surgir.

Vejam, por exemplo, os primeiros-filhos do país: zero um, zero dois e zero três.
Claramente não foram moldados para exercer cargos públicos.

Um deles queria até ser embaixador nos EUA, apesar de mal falar inglês. Por sorte não chegou lá. Ainda.

Mesmo que esteja matando um potencial Albert Einstein,
os pais têm que ter sabedoria e podar o filho
para não escolher a profissão errada

Numa profissão que não parece ser a ideal para seus talentos, os rapazes falam demais, twitam demais e colocam o Brasil inteiro, muitas vezes, em situações delicadas.

Tivesse nosso presidente tomado as rédeas do futuro de seus filhos, quando os pequenos zerounzinho, zerodoiszinho e zerotrêszinho mostraram as primeiras intenções de seguir carreira política, hoje o país não passaria por tantos constrangimentos.

Ao invés do Gabinete do Ódio, poderíamos ter um grande especialista em Redes Sociais. Ao invés de Rachadinhas, teríamos um especialista, sei lá, em Consórcios, já que é fera em parcelar pagamentos.

O outro filho não sei qual talento tem, mas vocês já entenderam meu ponto.

Não foi o que aconteceu.

Livres para escolherem sua profissão, deu no que deu.

Também, o que poderíamos esperar, não é mesmo?

Tivesse o avô dado o exemplo, na primeira vez que o filho dissesse “Quero ser presidente” o velho sábio teria… ah, deixa pra lá.

Vocês entenderam meu ponto.


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