Semanal

O dia em que o ex-chefão da Fórmula 1 descobriu que o Brasil não é uma terra sem lei

O dia em que o ex-chefão da Fórmula 1 descobriu que o Brasil não é uma terra sem lei

Bernie Ecclestone durante Grande Prêmio da Rússia de Fórmula 1, em Sochi

O mundo realmente dá voltas impensáveis. Depois de ser conhecido como o mago da Fórmula 1, Bernie Ecclestone, de 91 anos, foi preso em flagrante na noite desta quarta-feira 25, no aeroporto de Viracopos em Campinas, no interior de São Paulo, por porte ilegal de arma. O empresário estava tentando embarcar em um voo particular para a Suíça.

Por volta das 21h30 de ontem, quando a arma de calibre 32 foi detectada em sua bagagem, após passar pelo raio-x do aeroporto, Ecclestone foi forçado a mostrar a documentação da pistola. Como não possuía nenhum documento que pudesse demonstrar a legalidade do armamento, o executivo teve que se render à anormalidade na posse da arma. A pistola estava escondida no bolso de uma camisa no interior de sua mala.

Após a constatação da presença de uma arma ilegal, Ecclestone foi encaminhado para a 4ª Delegacia de Atendimento ao turista (Deatur), da Polícia Civil, que fica localizada no interior de Viracopos. De acordo com informações que constam no boletim de ocorrência, a pistola calibre 32, da marca lW Seecamp, estava sem o carregador e sem munição. Ecclestone prestou depoimento e foi preso por porte ilegal de arma de fogo.

Segundo a polícia, o ex-CEO da F-1 afirmou ser o proprietário da arma, porém alegou não ter conhecimento de que ela se encontrava em sua bagagem, o que não convenceu os policiais. “O conduzido alegou ser proprietário da arma, de forma irregular, mas alegou não ter conhecimento que estava em sua bagagem pessoal”, afirmou a Polícia civil em nota.

Mais tarde, sem ter como negar que a arma lhe pertencia, o empresário inglês afirmou que a comprou de um mecânico da Fórmula 1 há cerca de cinco anos. De acordo com o Boletim de Ocorrência, a pistola seria mantida em uma propriedade rural no interior de São Paulo. O crime de porte ilegal de arma prevê pena de quatro anos de reclusão. O delegado do caso, porém, o fixou uma fiança de R$ 6.600 e liberou Ecclestone e sua esposa, que seguiram viagem para a Suíça normalmente.

O empresário inglês estava no Brasil há cerca de um mês e participou de eventos aqui no país em maio, como o encontro com o tricampeão mundial de F-1 Nelson Piquet, em Brasília, e assisitiu a uma corrida da Stock Car no interior de São Paulo.

Ecclestone é uma das figuras mais emblemáticas do meio automobilístico: comandou o circo da F-1 por mais de meio século. Foi empresário do piloto austríaco Jochen Rindt e sócio da segunda equipe da Lotus. Após comprar a Brabham no inicio da década de setenta, ganhou dois títulos mundiais, em 1981 e 1983, com o brasileiro Nelson Piquet. Posteriormente, se tornou presidente da Associação de Construtores da Fórmula 1(Foca) e vendeu o time.

O empresário inglês trabalhou na chefia comercial da Fórmula 1 por mais de 30 anos até janeiro de 2017. Quando, foi demitido pela empresa norte-americana Liberty Media. A empresa americana havia comprado a categoria por US$ 8 bilhões em setembro de 2016. O ex dirigente é casado desde 2012 com a brasileira Fabiana Ecclestone, com quem tem um filho.

Em 2016 a sogra de Ecclestone, Aparecida Schunk, foi sequestrada e os criminosos pediram cerca de R$ 120 milhões pelo resgate. Na época, o empresário disse que nada pagaria pelo resgate da sogra. Após nove dias, ela foi resgatada pela polícia em um cativeiro em Cotia, na região metropolitana de São Paulo.