Mundo

O cruel senso de humor de Zelensky

Presidente ucraniano perdeu o senso, tem desenvolvido uma postura autoritária contra a população e no jogo geopolítico deve se tornar uma marionete dos EUA e da Rússia

O cruel senso de humor de Zelensky

(Arquivo) O presidente ucraniano Volodymyr Zelensky - POOL/AFP

O governo dirigido pelo outsider e ex-humorista Volodymyr Zelensky entrará para história da Ucrânia como um mecanismo político autoritário que tem oprimido seu próprio povo. Todas as críticas ao governo são tolhidas, jornalistas são perseguidos e presos, a língua russa foi cerceada e seu ensino proibido nas escolas.

A Ucrânia é uma das nações mais pobres da Europa e, nesse momento, passa por graves complicações sanitárias e econômicas. Segundo a União Europeia, 12% dos 44 milhões de habitantes vivem uma situação de pobreza extrema. Mas o presidente não se preocupa com essa questão. Desde o inicio de sua administração, em 2019, Zelensky decidiu seguir um caminho pró-americano, especialmente de subserviência ao ex-presidente Donald Trump.


Além disso, resolveu apoiar totalmente a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), o que é entendido por diversos especialistas como um erro estratégico. “A Rússia vai acabar se aproveitando do desconhecimento geopolítico de Zelensky”, afirma Masimo Della Justina, professor da Pontifícia Universidade Católica do Paraná. Segundo o especialista, o presidente ucraniano exibe um perfil pseudopatriótico, ao se enrolar na bandeira do país, mas está longe de ser o líder que vai resolver os problemas sociais, econômicos e políticos da nação.

“A tendência é que a Ucrânia fique cada vez mais dependente da Rússia, já que o país se beneficia dos royalties do gasoduto que passa em seu território para suprir a Europa”, explica. Os EUA também mexem essa peça no jogo de xadrez. Promovem uma desestabilização entre Zelensky e Putin, para ganhar mercados da Rússia. “Os americanos querem vender gás de xisto para Europa”, diz Justina.

A Ucrânia tem laços históricos e afetivos com Rússia, por mais que o presidente não queira. O país fazia parte do território da antiga URSS (1922-1991), e mesmo depois de conquistar sua independência, ao fim da União Soviética, as pessoas mantiveram relações próximas, são povos irmãos. As estimativas dão conta de mais de 50% das pessoas que vivem na Ucrânia tem ascendência russa. Muitos ucranianos trabalham em território russo. Nesse contexto, em 2014, a Rússia assumiu o controle da região da Criméia, o que tornou os territórios ainda mais próximos.

PALHAÇO DE ARAQUE
O presidente Zelensky, 43, ficou conhecido nacionalmente por causa de seu programa de TV: Servo do Povo. Ele se passava por um professor que fazia sátiras políticas. Mas ao chegar ao poder, se tornou uma piada para seus pares, já que não entendia como as negociações se acontecem, um inocente útil.

Foi catapultado à presidência por um partido que tem o mesmo nome do programa, dispensou os tradicionais comícios e utilizou as redes sociais para cativar mentes e corações. Seu perfil remete a outros lideres, com histórico artístico que foram levados a política, como o ex-ator de Hollywood, Ronald Reagan, que foi presidente dos EUA entre 1981 e 1989, o populista italiano Bepp Grillo, um comediante que faz parte do partido de extrema direita da Itália, Movimento 5 Estrelas, e seu maior ídolo, Trump.

Porém está longe de ter a capacidade política desses exemplos. As ações repressivas de seu governo e a falta de habilidade estratégica tiram-no completamente do campo das artes e lhe dão o status de truculento, um mero representante da extrema direita, que só cresce no país.