Semanal

O criador de crises

Crédito:  Eduardo Anizelli/Folhapress

Tudo caminhava para termos um início de ano tranquilo, se é que com Bolsonaro no comando isso seja possível. Mas ele correu para arrumar a primeira crise no governo, dizendo que iria reajustar os salários dos servidores da Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal e policiais penitenciários federais, para os quais daria R$ 1,7 bilhão. O capitão é tão sem noção, que pensou que ainda era líder de cabos e soldados do Exército quando era mais jovem e vivia a fazer agitações para conseguir melhores soldos aos militares.

É óbvio que a promessa feita aos federais daria no que deu. Todo o resto do funcionalismo, desde funcionários da Receita, do Banco Central, dos ministérios, etc, etc, iria reivindicar o mesmo reajuste. E imediatamente após o presidente anunciar que aumentaria policiais federais, as demais categorias começaram a se organizar com ameaça de uma greve geral, contratada para acontecer em fevereiro. Ou seja, Bolsonaro é o velho trapalhão de sempre. Vive a fomentar crises no governo.

E não é preciso ir muito longe. Basta ver o que fez com a vacinação infantil. Colocou tantos entraves na compra das vacinas da Pfizer para as crianças que a Anvisa autorizou o início da vacinação em 16 de dezembro e somente agora a imunização começou para valer e mesmo assim com poucas doses disponíveis para atender a demanda das 20 milhões de crianças. Uma crise alimentada também pelo ministro paspalhão Marcelo Queiroga, que chegou a dizer que 4 mil pessoas haviam morrido pela reação adversa da vacina, quando o próprio ministério desmentiu essa fake news, falando em apenas 11 mortes. O que diante de 130 milhões de vacinados, é insignificante.

O mesmo caminho de criar crises desnecessárias para tumultuar o país e depois tentar impor suas pautas retrógradas, ele já adotou em relação ao Poder Judiciário. Primeiramente disse que as eleições só seriam limpas se o voto fosse impresso, o que seria um retrocesso. Ameaçou melar as eleições e criou um grande trauma institucional, que levou meses a ser contornado. Na sequência, ameaçou não respeitar decisões de ministros do STF e caminhava para um golpe institucional, quando foi convencido pela sociedade democrática de que não teria o mínimo apoio para uma ruptura por ele desejada. Bolsonaro é, portanto, o maior inimigo do seu próprio governo. Não é por outra razão que está com mais de 60% de rejeição e dificilmente conseguirá se reeleger.