Comportamento

O crepúsculo dos neandertais

Há 42 mil anos, um fenômeno climático inverteu os polos magnéticos da Terra. O evento catastrófico pode ter relação com o surgimento das pinturas rupestres

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DESCOBERTA Estudo detalha como a tragédia impactou a vida dos primatas: causa de extinção (Crédito: Divulgação)


Apesar do aquecimento global deixar o mundo em alerta permanente sobre questões ligadas à conservação do meio ambiente, imaginar uma catástrofe sem precedentes que cause o fim da vida na Terra nos dias de hoje é difícil até para filmes de ficção. Contudo, de acordo com um estudo publicado na revista Science, há 42 mil anos isso aconteceu. Cientistas australianos afirmam que um evento chamado ‘Excursão de Laschamp’ causou a inversão dos polos magnéticos do planeta — norte e sul – e pode ter sido responsável pela extinção dos povos neandertais por conta de mudanças climáticas severas. Segundo o geógrafo Marcelo Lemes, da Universidade Estácio de Sá, no Rio de Janeiro, a inversão dos polos ocorre quando as moléculas de ferro no núcleo externo da Terra se movimentam na direção contrária — um evento considerado raro.

Como o fenômeno quase destruiu a camada de ozônio, a Terra ficou indefesa contra partículas de energia do espaço, como raios, ventos e tempestades solares. Deste modo, além de provocar espetáculos como a aurora boreal, o incidente “bagunçou” a temperatura em geral, que se alternava radicalmente entre o frio e o calor. “Deve ter sido uma época muito assustadora, quase como o fim dos tempos”, disse Chris Turney, cientista da Universidade de New South Wales, na Austrália, e coautor da pesquisa.

Emissão de carbono

Ao analisarem partes de uma árvore antiga, tida como uma fonte rara de carbono, os pesquisadores descobriram que a inversão dos polos durou cerca de 800 anos, e ocorre a cada milênio. Eles também acreditam que, para fugir das tempestades elétricas, por exemplo, os povos neandertais buscaram abrigo em cavernas, e lá, iniciaram a tradição das pinturas rupestres. “As impressões de mãos em ocre vermelho pode sinalizar que a pintura também era usada como protetor solar”, conta o cientista Alan Cooper, autor do estudo. “A arte das cavernas apareceu em todo o mundo ao mesmo tempo e não havia forma dessas culturas se comunicarem.” Sobre futuras tempestades, Cooper demonstra preocupação. “Se um evento semelhante acontecesse hoje, destruiria nossas redes de satélites e de energia elétrica. Então é indispensável diminuir a emissão de carbono”, afirma.

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