Economia

O colapso dos pequenos negócios

Especialistas apontam para o crescimento de 71,3% no número de falências de empresas decretado no País em junho. A recuperação do setor pode levar ao menos dois anos

Crédito: GABRIEL REIS
“Infelizmente, a educação no Brasil vai entrar em colapso e muitas crianças não terão para onde ir” Luciana Martins, educadora (Crédito: GABRIEL REIS)

Uma crise econômica sem precedentes. É assim que especialistas descrevem o atual momento dos micro, pequenos e médios negócios brasileiros. O mês de junho registrou um aumento de 71,3% no número de falências decretadas, em comparação com o mesmo período em 2019, conforme levantamento da Boa Vista SCPC. Economistas afirmam que o pior está por vir. A expectativa para a recuperação gira em torno de dois anos.

Para minimizar a falta de crédito aos pequenos negócios, o Sistema de Cooperativas de Crédito do Brasil (Sicoob) organizou uma ação de auxílio por meio do Programa Nacional de Apoio às Microempresas de Pequeno Porte (Pronampe), na última segunda-feira, 13, registrando pedidos que somaram cerca de R$ 500 milhões em apenas um dia, valor próximo da metade do limite do crédito disponível, de R$ 1,195 bilhão.

“Muitos pedidos de empréstimos não são concedidos. Os bancos estão receosos de as empresas não poderem garantir a devolução dos valores emprestados no futuro”, afirma Marcel Solimeo, economista da Associação Comercial de São Paulo. O volume dos pedidos de empréstimos cresceu 44,6% no mês passado.

Caos e incerteza

A Boa Vista SCPC afirma que o setor mais afetado pela pandemia é o de serviços, responsável por 40,5% dos pedidos de falência. Todavia, o estrago atinge diversos nichos do mercado. Luciana Martins, fundadora da Escola Magnus de Educação Infantil, em São Paulo, decretou falência após 20 anos de funcionamento e teme o sucateamento da educação após a crise. “Não tivemos apoio financeiro do governo. O que mais me entristece é saber que quando a pandemia acabar, essas crianças não terão para onde voltar a estudar, porque muitas escolas não existirão mais”, disse a fundadora da unidade educacional.

O economista Marcel Solimeo destaca que a recuperação dos pequenos negócios depende do fim da pandemia. “O tempo mínimo da normalização é de um ano”. Será um processo extremamente lento.

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