Edição nº2603 14/11 Ver edições anteriores

O Carnaval do vale-tudo

O Carnaval acabou. Ainda bem.

É muito difícil encontrar no calendário das festas brasileiras (e haja festa!) uma tão patética como o Carnaval.

Instrumentalizado por interesses os mais diversos. Ocupa um espaço absolutamente desproporcional na mídia à sua importância e na própria ação do poder público.

A mídia dedica à festa espaços generosos. O processo tem início, especialmente, um mês antes da festa. Detalhes os mais bizarros possíveis são transformados em notícias importantes. Somos informados de pormenores ínfimos sobre as fantasias, os enredos, os destaques (geralmente celebridades do mundo vulgar da cultura de massa), as “rainhas de bateria” e seus preparativos para o desfile — em suma, não há nada que fique de fora. Nos últimos anos, além dos desfiles das escolas de samba, os blocos adquiriram grande importância. E também sobre seus dirigentes e componentes a mídia reserva ampla cobertura, inclusive porque alguns desfilam antes do Carnaval preparando-se para a festa.

Não há no mundo uma comemoração tão anunciada, tão longa — os quatro dias de folia foram sendo paulatinamente ampliados —, tão noticiada como o Carnaval brasileiro.

A separação do público e do privado de há muito foi abolida. Blocos e camarotes privados ocupam as ruas e avenidas. Realizam grandes negócios. E ainda recebem a proteção especial da segurança pública — isso onde ainda há segurança…

A massiva cobertura — especialmente da televisão — amplifica a festa. Mais que isso: transforma o Carnaval em modelo para o País. Personagens pífios são transformados em celebridades. Viram referências artísticas e morais. Nas entrevistas tecem considerações bizarras. Tudo o que falam é glorificado. Há, implícito, um desprezo pela cultura.

Esse ano o Carnaval atingiu o ponto máximo no campo da mediocridade — sem que nos anos anteriores tenha sido comedido, vale ressaltar. Virou um verdadeiro salve-se quem puder.

Não há nenhum paralelo. Cada celebridade buscou aparecer mais que outra. Escandalizar virou o mote preferido das personalidades midiáticas. E o poder público, de olho no politicamente correto, incentivou tal comportamento.

O Carnaval acabou servindo como uma boa metáfora da profunda crise por que passa o Brasil, um país sem rumo. E crise no sentido mais amplo possível.

Esse ano atingiu o ponto máximo de mediocridade. E o poder público, de olho no politicamente correto, incentivou tal comportamento

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