Cultura

O carisma de Churchill

Por que o primeiro-ministro britânico se tornou um dos personagens históricos mais famosos do mundo e um dos mais representados na cultura popular, como no filme “Churchill”, que estreia no Brasil

O carisma de Churchill

TENSÃO Em "Churchill", Brian Cox interpreta o angustiado primeiro-ministro no fim da Segunda Guerra Mundial

O charuto, o chapéu, o copo de conhaque, a rabugice e a crença nas instituições. São os traços que fizeram de Winston Churchill não só um personagem histórico do século 20 como também uma figura que parece feita para a cultura popular. O primeiro-ministro britânico que declarou guerra à Alemanha e liderou a vitória sobre o nazismo foi bafejado pelo heroísmo. Por isso, continua a despertar paixões. Também se destacou como orador e escritor. Em 1953, recebeu o prêmio Nobel de Literatura pela obra “A Segunda Guerra Mundial”, em seis volumes, escrita entre 1948 e 1951. Nela, esse protagonista do conflito mais sangrento de todos os tempos não se limita a dar o testemunho das lutas que comandou, mas se atreve a analisá-las como um cientista social. Sem complacência, ele reserva para si próprio um lugar menor na história.

QUEM FOI? Winston Leonard Spencer-Churchill (1874-1965) Militar, jornalista, escritor, político do Partido Conservador e estadista. Primeiro-ministro da Grã Bretanha na Segunda Guerra Mundial (1939-1945). Declarou guerra contra Hitler e liderou a vitória dos Aliados. Ganhou o prêmio Nobel de Literatura de 1953.

Talvez por causa do excesso de modéstia, sua glória póstuma só tem aumentado. Em 2002, recebeu o título de maior britânico de todos os tempos em votação realizada pela BBC, à frente de William Shakespeare, Isaac Newton e Charles Darwin. Ele tem sido objeto de filmes, séries e telefilmes, além de livros e peças. De 1935 até hoje, tornou-se personagem de ficção em 36 longas-metragens no cinema e 26 filmes e séries televisivos.


História parcial

Muitos atores se candidatam a interpretá-lo nas telas, por tudo o que ele representa e pelas deixas e trejeitos teatrais que o personagem suscita. Além disso, parece que fazer o papel traz premiações. Em janeiro, John Lithgow ganhou o Globo de Ouro pela atuação da série “The Crown”. Não é por outra razão que o astro Gary Oldman interpreta Churchill em “O Destino de uma Nação”, a ser lançado em janeiro de 2018.

O escocês Brian Cox é outro ator que vive o papel no longa “Churchill”, do diretor australiano Jonathan Teplitzky, que estreia no Brasil nesta semana. O filme tem roteiro da historiadora Alex Von Tunzelmann e dramatiza seis dias antes do Dia D. Naquele momento, o primeiro-ministro se vê assombrado por imagens de massacres do passado e teme que a invasão da Normandia sacrifique vidas inutilmente, como aconteceu em 1915 na campanha de Gallipoli, quando 20 mil soldados britânicos morreram — tragédia pela qual Churchill, ministro da Guerra, foi responsabilizado.

“Brian vive Churchill com um realismo que o torna plausível tanto nas conversas íntimas com a mulher, Clemmie (Natasha Richardson), como nas discussões ásperas com os comandantes militares Bernard Montgomery e Dwight D. Eisenhower”, diz Teplitzky. “Churchill costuma ser representado de forma a um só tempo histriônica e heroica. Mas Brian evita a caricatura.”

 

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