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O capitão Bolsonaro é o capitão Celestino

Crédito: Reprodução

Em mais uma insônia e com o descaso do governo federal pelos mortos e enlutados nela pregado, coloquei um ponto final na leitura do romance da escritora Djaimilia Pereira de Almeida “A visão das plantas”, lançado pela editora Todavia. No livro, ela conta a história do personagem capitão Celestino, um homem que regressa a sua terra natal após uma temporada de brutalidade e violência em alto mar. Inspirada no livro “Os Pescadores”, de Raul Brandão, Djamilia escreve sobre o fim da vida de Celestino.

Vivendo de modo solitário e com toda a vizinhança criando especulações sobre sua vida, o capitão Celestino decide, um dia, vangloriar-se para crianças sobre o único passado que carrega no peito: “Quereis saber o que matei? Matei macacos e cavalos. Serpentes, vespas, um elefante. Um crocodilo de comprimento de uma jangada: cortei-o em cinco partes, enquanto me ri da fortuna que o colosso me renderia. Matei dez mulheres, a uma delas cortei os pés. Matei um corvo, para o comer. Raposas, ratazanas. Matei centenas de homens com as minhas mãos e elas não me caíram. Matei os sonhos de um milhar de outros. Queimei cabanas. Um dia, mordi o pescoço dum homem até lhe arrancar as veias para fora. Espetei uma lança no peito de um amigo”.

A alma do capitão resumia-se a isso. Assim que finalizei a leitura, minha mente foi levada para um outro ano e um outro capitão. Estamos em 2021 e Jair Messias Bolsonaro disse não para o fim de uma pandemia que já matou mais de 430 mil brasileiros, brasileiras, brasileirinhos e brasileirinhas. Bolsonaro disse não para um milhão e quinhentas mil doses da vacina da Pfizer. Por quê? Porque, assim como o capitão Celestino, o capitão Bolsonaro não tem apresso pela vida. Sentado com amigos, ele gargalha porque é assim que fazem aqueles com desprezo à vida. Gargalha porque, por dentro, não há nada mais que possa fazer. Porque a morte, e somente isso, é o que terá de contar sobre o seu passado.

Assim como Celestino, Bolsonaro falará das mortes que não quis conter. Fará questão de lembrar de seus momentos quando presidente e da única marca que deixou: o luto de um País. Talvez esse vazio explique tudo. Não há como ter humanidade por completo quando se preza a morte. O capitão Celestino passa os últimos dias de sua vida convivendo com o fantasma de pessoas as quais matara. Transfere a sua própria existência ao seu jardim, que, em sua visão, passa a ser ele próprio. “Nas suas mãos pias, todas as plantas morriam”. É a frase final do livro.

Celestino morre fugindo, do padre, da sociedade, convivendo com os fantasmas, sem jamais conseguir dormir e sabendo que, em sua alma, a única tatuagem cravada é a morte. Quando morre deixa somente o corpo, porque a alma já estava morta há tempos – e ele só percebe isso quando olha para o seu jardim morto. Lembro do Planalto, das plantas que ali habitam. Será que elas estão vivas? Daqui, sinto cheiro de folhas secas e de terra arrasada, e o cheiro de brasileiros mortos.Quatrocentas e trinta mil covas abertas. A alma o capitão Bolsonaro  também resume-se a um inerte jardim.

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