O candidato a candidato eterno

Crédito: Divulgação

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Jair Messias Bolsonaro vive com uma ideia fixa na cabeça: se reeleger como presidente. Opa! Mas ele não acabou de ser colocado na cadeira do Planalto para governar? Sim. E daí? Isso pouco importa. Não conta. Ele prefere ser o eterno candidato levantando bandeiras esquizofrênicas a tratar das questiúnculas chatas do dia a dia do posto que ocupa. Não interessam os problemas de desemprego, da baixa produtividade nas indústrias, da falência dos hospitais públicos, da precariedade na educação e na saúde, do desmantelo nas relações externas. Não ocupem o “Mito” com esses assuntos laterais. Para que governar se é tão mais legal ficar agitando as massas com bobajadas como o golden shower e a volta do AI-5? Isso sim é que vale a atenção e o tempo de quem está no cargo mais alto da República.

Com o estilo paspalhão autoritário, a predileção dele são os holofotes. O protagonismo que a cadeira de mandatário lhe dá. Dias atrás, para não perder o hábito, veio de novo a escolher adversários, afrontando na base da covardia, que é a sua especialidade. A menina Greta Thunberg, ativista ambiental de apenas 16 anos, que se transformou em ícone da causa, indicada ao Nobel da Paz e Personalidade do Ano pela revista Time, foi tratada pejorativamente por Messias como a “pirralha” inconveniente. Tudo porque Greta reclamou do descaso com a Amazônia. Tocou no ponto fraco de Bolsonaro. Ele tem verdadeira ojeriza pela temática da preservação. Já brigou com alemães e franceses em torno do assunto. Despachou para casa o presidente do INPE por ter divulgado dados recordes de queimada, que lhe contrariaram. Atacou o ator Leonardo Di Caprio, os índios, a ONU, o escambau. Não topa com a ideia. E, naturalmente, passou a mão na cabeça de grileiros que devastaram as florestas e ocuparam ilegalmente a terra. Concedeu a eles, por meio daquela que já é chamada como a MP dos grileiros, o direito a posse após o crime ambiental que cometeram. Eis o autêntico Bolsonaro.

Na condição de Messias acredita ser o emissário da boa nova e o comandante a guiar o seu povo para uma era de radicalismo e perseguições, conveniente somente a ele mesmo. Logo, eventuais críticos ou adversários precisam ser abatidos. Luciano Huck apareceu como alternativa? Destrói a reputação dele com infâmias sobre um jatinho financiado (de mais a mais, legalmente) pelo BNDES. O governador de São Paulo, idem. Mesmo os mais próximos assessores que ousam contrariá-lo ou alertá-lo para o mal dessa cruzada são sumariamente dispensados do convívio. Bolsonaro acredita piamente que só ele está certo, com sua pauta enviesada de costumes e retrocessos. Não concede a ideia democrática do debate – ainda mais com uma “pirralha” como a Greta, onde já se viu? Ele é o “mito” – e segue a ventilar suas asneiras. Está no caminho errado se pensa angariar maior popularidade assim. Já torrou além de 20% do capital de apoio com o qual contava quando assumiu.

Segundo pesquisa recentemente divulgada da “Folha de S. Paulo”, desabou de 65% para 43% o seu índice de aprovação. É a pior taxa da história de um presidente eleito democraticamente em primeiro ano de mandato. E não é só. Quase 50% dos brasileiros não confiam nas declarações do presidente. Não acreditam minimamente no que ele diz. É nisso que dá ficar mentindo e difamando dia sim, outro também. Mas Bolsonaro não se rende às evidências. Já se sabe: ele faz pouco caso de fatos. Foi desmentido em público, de novo, pela Controladoria-Geral da União (CGU), que disse inexistir o documento ao qual se referiu para tratar do laranjal do PSL. Esse é o sujeito que teima em se apresentar mais como candidato a reeleição do que como governante de direito. Caberia na atual conjuntura a surrada pergunta: você compraria um carro usado de uma pessoa assim? Os riscos do bolsonarismo incendiário e sem noção estão por todos os lados. A escalada de seu tom belicoso pode trazer consequências imprevisíveis. Viver sob a tutela de um candidato que não desce do palanque é como perder tempo esperando pela entrega de promessas jamais cumpridas. Bolsonaro tem sido a negação completa do estadista clássico. O pseudochefe da Nação que controla um exército Brancaleone de aloprados a trombetear delírios.

 


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