Comportamento

O caminho dos faraós

De olho na retomada do turismo, setor essencial para a economia do país, o Egito inaugura a espetacular “Avenida das Esfinges” na cidade de Luxor

Crédito: ISLAM SAFWAT

IMPULSO Três anos de obras: passagem entre os templos de Luxor e Karnak tem centenas de estátuas (Crédito: ISLAM SAFWAT)

Com um espetáculo digno das riquezas dos antigos faraós, foi inaugurada na cidade de Luxor, no Egito, a nova “Avenida das Esfinges”, carro-chefe na retomada do turismo em larga escala no país. Foram necessários três anos de obras e centenas de profissionais para reformar a passagem de 2,7 quilômetros de comprimento, caminho ladeado por centenas de estátuas entre os templos de Luxor, datado de 1400 a.C., e o de Karnak, dedicado ao deus Amon-Rá.

TESOUROS Sítio arqueológico de Aton: “cidade dourada perdida” (Crédito:Mohamed Elshahed)

Khaled El-Anany, ministro do Turismo e Antiguidades, classificou a festa como um ponto de impulso para o setor, fragilizado em 2020 pela pandemia. A estratégia inclui a remodelagem de museus não apenas dedicados ao Egito Antigo, mas também a legados greco- romanos, coptas e islâmicos. O próximo passo, segundo o ministro, será a abertura ainda esse ano do Novo Grande Museu Egípcio, onde está o tesouro do faraó Tutankámon, ao lado das pirâmides de Gizé. O cultuado Museu do Egito, no Cairo, também foi modernizado. Já está aberta ao público a tumba do Rei Djoser, construída há cinco mil anos e descoberta no sítio arqueológico de Mênfis, em Saqqara.

O investimento na nova avenida faz sentido porque o setor do turismo é responsável por 12% do PIB do Egito. A grandiosidade do “maior museu a céu aberto do mundo” não ofuscou a preocupação com a pandemia: na véspera do evento, a variante Ômicron foi confirmada pela Organização Mundial de Saúde (OMS) na África do Sul, bem no momento em que o Egito apresenta ao mundo seus museus reformados e novas descobertas de sua história milenar.

Durante a pandemia foram feitas novas descobertas extraordinárias, como Aton, em abril deste ano, anunciada como a “cidade dourada perdida”. É a maior dentre as antigas já descoberta no Egito, com mais de três mil anos e escavações iniciadas também em setembro.

Projetos de revitalizacão incluem o Novo Grande Museu Egípcio, onde está o tesouro de Tutankámom

Altos e baixos

Depois do medo causado por atentados terroristas e os chamados “Dias de Fúria”, decorrentes da revolução que mobilizou o país em 2011, foram anos para a indústria egípcia do turismo se reerguer — inclusive com a volta de cruzeiros e reabertura de resorts na costa do Mediterrâneo e do Mar Vermelho, que são destino de 65% do total de visitantes no país. De acordo com a Organização Mundial de Turismo das Nações Unidas (UNWTO, na sigla em inglês), o setor havia renascido no Egito em 2019, com um salto no crescimento de 21% e mais de 13,5 milhões de pessoas visitando os “melhores destinos turísticos” recomendados pelos sites especializados. Na temporada 2018/2019, houve recuperação em torno de US$ 13 bilhões (cerca de R$ 74 bilhões) em receitas.

DESFILE A volta dos grandes eventos: esforço para reerguer a economia (Crédito:Mohamed Abd El Ghany)

Para 2020, o Egito esperava 15 milhões de turistas, mas, com países em lockdown e voos cancelados, a queda nas receitas foi de 20%, ainda no primeiro semestre, de acordo com o ministro El-Anany, e perda em torno de US$ 1 milhão (R$ 5,7 milhões) por mês. Isso, mesmo com a reabertura do país em julho, após o fechamento a partir de março. Em dezembro de 2020, a vice- ministra do Turismo, Ghada Shalabi, declarou que o número de visitantes no país ficou em 3 milhões, o que corresponde a apenas 23% do volume de 2019.

As obras de revitalização dos locais históricos seguiram e o turismo — basicamente interno — voltou a se movimentar em 2021, com vacinação priorizada para os profissionais do setor. Em maio, o Egito havia recebido 500 mil turistas — o dobro de janeiro e bem mais que os 200 mil por mês que visitaram o país na segunda metade de 2020.

Mesmo com a Ômicron, o ministro da Saúde, Hossam Abdel Ghaffar, garantiu que a situação está sendo fortemente monitorada, mantendo-se as medidas sanitárias preventivas nos pontos de entrada do país. No domingo, 29, o país recebeu sua maior remessa de vacina: 3,89 milhões de doses. O Egito segue aberto, com exigência de PCR a turistas, com exceção a sete países da África. Turistas de outros lugares do mundo, portanto, podem ficar tranquilos: a “Avenida das Esfinges” está aberta.