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O brasileiro que fundou duas empresas e levou as duas para a bolsa de valores

Crédito: Divulgação

Miguel Abuhab criou a Datasul e a Neogride, empresas de tecnologia, e fez o IPO (Oferta Inicial de Ações) de ambas, uma em 2006 e a outra em 2020 (Crédito: Divulgação)

Aos 75 anos, o engenheiro mecânico Miguel Abuhab realizou um feito: fez o IPO (Oferta Inicial de Ações, em português) da Neogrid, empresa de tecnologia da qual é o presidente do conselho. Essa não foi a primeira vez. Em 2006, já havia levado à bolsa a Datasul, que desenvolvia soluções integradas de softwares de gestão empresarial (ERP) e, hoje, pertence à Totvs.

Ele conta essa história e muitas outras no novo episódio do MoneyPlay Podcast, programa voltado para o mundo das finanças, apresentado pelo educador financeiro Fabrício Duarte. 

>>> Assista aqui o vídeo na íntegra.

Oitavo filho de um casal formado por um pai israelense e uma mãe turca, Miguel Abuhab se inspirou no irmão mais velho e também se formou no Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA). 

Na faculdade, descobriu habilidades na área de produção que lhe renderam uma vaga na empresa de um dos professores. Depois, ganhou emprego em uma indústria para implementar um planejamento produtivo. Da experiência, surgiu a oportunidade de criar um negócio próprio.

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Primeira empresa

No primeiro cliente, a WEG, queriam montar uma equipe própria. “Falei que tudo bem, que ia contratar equipe e treinar, mas o que o time desenvolvesse sob minha orientação seria propriedade intelectual minha e eu poderia vender para terceiros.”

Uma outra empresa menor ia comprar um computador e teria horas ociosas do equipamento, por isso, não queriam equipe. Fez, então, um acordo para eles rodarem serviços de terceiros nas horas ociosas do computador. “Quando arrumei o terceiro cliente, já tinha o programa e o computador”, conta. “Depois veio o quarto cliente e assim surgiu a Datasul em 1978.” 

Antes, as empresas mandavam seus serviços para rodar em um bureau de processamento de dados porque as máquinas eram muito caras. “A tecnologia cliente-servidor foi uma uma mudança muito grande porque a máquina ficou barata e as empresas podiam comprar a sua”, explica. 

Mas, agora, as máquinas já não vinham com o software, então surgiu a venda de licença de uso de programas para esses equipamentos. “Vi que havia uma reserva de mercado, pois não se podia mais importar os computadores e existiam apenas cinco fabricantes nacionais”, diz. 

Uma empresa parceira no Brasil topou mandar uma máquina para os Estados Unidos e pagar US$ 50 mil para programá-la. Como a Datasul já tinha 40 clientes, Abuhab conseguiu o compromisso de que todos comprariam o programa, viabilizando a cota de venda de US$ 1 milhão por ano para ser distribuidor no Brasil. “No primeiro ano, dobrei a base instalada que eu havia construído em dez anos.”

Primeiro IPO

Em 2006, ele lançaria a Datasul na bolsa de valores. “A maior dificuldade para fazer um IPO é a governança: ter os números claros, contratações corretas, não ter processos na justiça, pagar impostos”, explica. 

Ele acredita que, por mais que a empresa faça planos, o IPO depende muito mais do momento. “O plano deve ser: preciso estar pronto, ter todas as regras de governança, ter conselho e transparência”, orienta. “E, depois, aproveitar o momento certo. Na época, a taxa de juros caiu bastante, houve um aquecimento e decidimos ir para o mercado em questão de três meses.”

A Neogrid e o segundo IPO

Em 1999, Abuhab criou a Neogrid, que compartilha dados de estoques e vendas de empresas de varejo com companhias de manufatura que se organizam para repor no ritmo do consumo com o uso de inteligência artificial e algoritmos. 

Em dezembro de 2020, Abuhab voltou à B3 para realizar o seu segundo IPO, o da Neogrid, aos 75 anos. O segredo do sucesso? “Primeiro, precisamos atender uma necessidade significativa de um cliente ou de um mercado suficientemente grande, sem que nenhum concorrente esteja operando ou venha a operar em um curto espaço de tempo”, receita. 

Além da Neogrid, Abuhab investe em outros tipos de ativos, como em uma empresa de agronegócio, também na Camerite, que faz monitoramento na nuvem com uma rede neural com 30 mil câmeras interligadas, além da Exepron, uma  empresa de software para gestão de projetos que usa os conceitos da Teoria das Restrições. O senhor simpático de 76 anos e que ama tecnologia não para.

“A tecnologia avança cada vez mais rapidamente. Os processos de comunicação e o número de cientistas pensando em inovações só crescem, então elas só aceleram”, justifica. E o que Abuhab aposta para o futuro? “Acho que a grande mudança agora é o blockchain, uma grande revolução tecnológica na mesma proporção do que vivemos lá no passado.”

>>> Confira aqui todos os episódios do programa.