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O Brasil não é o Afeganistão

O Brasil não é o Afeganistão

Desde que o Talibã assumiu o poder, os edifícios do governo, bancos, estabelecimentos de passaportes, escolas e universidades permaneceram praticamente fechados - AFP/Arquivos

Por mais que os bolsonaristas se pareçam com os fundamentalistas do Talibã, o Brasil não é o Afeganistão. Aqui, temos imprensa livre e independente. Uma Justiça atuante e pautada por uma Constituição democrática. Um Legislativo comprometido com os avanços da democracia. Uma sociedade civil organizada. E Forças Armadas conscientes dos equívocos do passado, sobretudo na aventura mal sucedida de 1964. Em suma. Somos a 10ª economia do mundo. Um País em fase de desenvolvimento, celeiro do mundo. E faz tempo que deixamos de ser uma republiqueta de bananas. Então, aqui um golpe não vai colar. Ou Bolsonaro tira o cavalo da chuva, ou devemos organizar seu impeachment. Crimes não lhe faltam.

Vamos começar pelo cenário internacional. Quem gostaria de ver o Brasil transformado numa ditadura, comandada por um bando de imbecis? Os Estados Unidos de Biden, que já abominam a política de Bolsonaro para a devastação da Amazônia, coordenariam um grande boicote econômico ao Brasil. E os EUA são o segundo maior mercado brasileiro. O Brasil ficaria isolado dos grandes investidores internacionais, que seguem a cartilha de Wall Street. A China, que é o maior mercado brasileiro, que é uma ditadura, é pragmática. Quer nossos produtos, mas não faria loucura nenhuma de apoiar um Bolsonaro que vive a atacá-la e a desmoralizá-la. Os chineses hoje querem ver Bolsonaro e seus filhos pelas costas. E a Europa, apoiaria um golpe no Brasil? Claro que não. Hoje, eles já pensam duas vezes antes de comprar produtos brasileiros só porque o País desrespeita o meio ambiente. Macron, a quem Bolsonaro humilhou falando mal de sua mulher, seria o primeiro a fechar as fronteiras de negócios com o Brasil. Portanto, em termos internacionais, um golpe aqui seria uma tragédia.

A consequência imediata, seria que os empresários brasileiros, sem conseguir exportar, teriam seus negócios abalados e não dariam o menor apoio a uma insanidade dessas. O clima de bons negócios só existe quando as empresas tem liberdade econômica, projetos liberais de desenvolvimento, sem a presença de um estado forte que as sufoque. Portanto, aos empresários não interessa um golpe. Até porque, eles sabem que hoje, com Bolsonaro à frente do País, já estamos retrocedendo, com inflação em alta, dólar disparando, juros subindo, desemprego alarmante, baixo crescimento, descontrole fiscal. Em resumo. Estamos vivendo uma tempestade perfeita na economia, com sinais de que só vamos nos afundar ainda mais se esse clima golpista permanecer.

Mais do que isso. A sociedade organizada, as instituições democráticas, a imprensa livre, os congressistas conscientes e a Justiça comprometida com o Estado de Direito, não permitirão que meia dúzia de soldadinhos de chumbo de Bolsonaro deixe de cócoras um País com 200 milhões de habitantes hoje mais esclarecidos pelos eficientes meios de comunicação de massa. Muito bem. Mas os bolsonaristas podem dizer que contarão com as milícias armadas, com PMS golpistas em alguns estados, mas certamente não contarão com as Forças Armadas. Elas já deixaram claro que não entrarão nessa aventura, nesse delírio de um presidente que até do Exército foi expulso por indisciplina e incompetência. Ele promete, contudo, mobilizar suas forças neste Sete de Setembro, que serviria assim para uma demonstração de suas forças e pede até que as pessoas compareçam armadas aos eventos. Ora, se isso de fato acontecer, o presidente deveria ser afastado do poder, colocado numa camisa de força e internado. Ou então, que o Congresso tome vergonha na cara e marque de uma vez o impeachment. Não podemos mais ter um Napoleão de hospício no comando de uma das maiores nações civilizadas do mundo. O Brasil não é o Afeganistão.

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