Edição nº2539 17/08 Ver edições anteriores

O Brasil na Netflix

Eduardo Azeredo, ex-senador e ex-governador de Minas Gerais (entre outros cargos) foi condenado a 20 anos de prisão por peculato e lavagem de dinheiro.

Nesta semana, desembargadores rejeitaram o recurso de sua defesa.

Agora é cana mesmo, não tem conversa.

É o primeiro político da história do PSDB a ser condenado.

Numa leitura básica, essa prisão tem o potencial de unir o Brasil, porque acaba com os argumentos de que apenas um partido estava sendo perseguido.

Não, não me refiro ao PT.

Me refiro à evidente perseguição contra o PSDB.

Afinal, é uma injustiça que todos os partidos sejam turbinados na mídia com prisões cinematográficas, e o PSDB lá, abandonado, jogado ao ostracismo da inocência.

Esta semana a justiça foi feita.

O partido deve estar em festa.

Finalmente, um de seus membros entrou para o já consagrado rol de políticos presos.

Tem gente que acha que essa prisão afetará as chances do partido nas próximas eleições.

Que chances?

Antes dessa prisão o PSDB não tinha chance nenhuma.

Alckmin com seus medíocres 4% tinha a mesma possibilidade de se eleger presidente que Meghan Markle tem de se tornar Rainha.

E Meghan ainda pode dar a sorte da família real inteira pegar um vírus fatal, menos ela e o Príncipe Harry.

Mas agora tudo mudou.

Certeza que nas próximas pesquisas Alckmin vai decolar.

Afinal, política no Brasil é igual a Bolsa de Valores.

Quando a gente acha que vai bem, vai mal. E quando a gente acha que vai mal, vai pior.

Lula, preso e liderando as pesquisas, deveria ter nos ensinado alguma coisa.

Quem for esperto deveria montar um partido.

O P.U.L.H.A.

Partido da União Legalista dos Horrorosos e Assaltantes.

Os políticos serão selecionados na cadeia.

Alberto Youssef para ministro da Fazenda.

Maluf para Relações Exteriores.

Sergio Cabral para ministro da Saúde.

Vamos arrebentar.

“Falem mal mas votem em mim” será o slogan da Campanha.

Dizem que estamos judicializando a política.

Ou que estamos politizando a justiça.

Dá na mesma, no fim das contas, já que não é nada disso.

Desde o processo do mensalão, estamos criando uma casta de celebridades atrás das grades.

No Brasil o que importa é celebrizar-se.

Quando você quer aparecer na mídia, nada mais eficiente do que um belo dum crime.

E não me venha com essa história de que a culpa é do jornalismo sensacionalista.

Ou você vai dizer que não gosta de ler uma história de crime bem contada no café da manhã?

Desconfio que a Lava Jato faz sucesso porque é capaz de satisfazer dois de nossos primitivos instintos:

O primeiro é, obviamente, o bem vencendo o mal.

Mas essa leitura é primária.

O segundo é que cada condenação faz nossos neurônios sofrerem as mesmas cócegas que popularizaram as novelas.

Aquela coisa de todo dia assistir ao desenrolar de uma trama bem contada.

Frisson cada vez que a Polícia Federal sai as ruas para prender os políticos que elegemos.

Gente que sabemos o nome, que acompanhamos a carreira, o que cria essa empatia que está muito além do que um povo civilizado entenderia.

É como se prendessem, sei lá, a Carminha.

Chegamos lá.

 

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