Geral

O Brasil na imprensa alemã (14/04)


Má gestão da pandemia por Bolsonaro, risco de variante P1 se espalhar pelo mundo, conversas entre Brasil e EUA para preservar Amazônia e temor de atos violentos de bolsonaristas foram destaques no noticiário alemão.Bild online – “É uma Fukushima biológica” (07/04)

Não para mais. O Brasil está atolado no caos do coronavírus. Milhares de mortos, dezenas de milhares de novas infecções. O respeitado médico Miguel Nicolelis e o pesquisador Christovam Barcellos estão certos de que o Brasil poderia superar os Estados Unidos tanto em mortes totais quanto na média diária de mortes: “É como um reator nuclear que iniciou uma reação em cadeia e está fora de controle. É uma Fukushima biológica”, disse Miguel Nicolelis, notável neurocientista e professor da Duke University, no estado da Carolina do Norte. “A pandemia está totalmente fora de controle”.

O Brasil vive seus piores dias desde o início da pandemia. Março foi o mês mais mortal. Mais de 60 mil pessoas morreram em conexão com uma infecção pelo coronavírus, duas vezes mais do que em julho do ano passado, o pico da pandemia até então: “Nenhum evento na história do Brasil tirou tantas vidas em 30 dias”, diz Nicolelis. Se nenhuma medida for tomada, “é provável que até julho tenhamos meio milhão de mortes pelo coronavírus”.

Frankfurter Allgemeine Sonntagszeitung – Às armas (11/04)

Há o risco de uma “invasão do Capitólio” brasileira se o presidente Bolsonaro não for reeleito em 2022?

O próprio Bolsonaro fez imediatamente a comparação com os Estados Unidos, onde apoiadores do ex-presidente Donald Trump invadiram o Capitólio em 6 de janeiro. “Se não tivermos cédulas impressas em 2022, ou seja, uma forma de controlar os votos, teremos problemas ainda maiores do que os Estados Unidos”, disse ele no dia seguinte à invasão do Capitólio.


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Também no Brasil, ideias radicais estão em ascensão, e uma radicalização de certos grupos de eleitores pode ser observada. E estes parecem estar se armando. O número de armas de propriedade privada registradas aumentou significativamente entre 2018 e 2020, em cerca de 180 mil. O número de atiradores e caçadores esportivos registrados também aumentou. O presidente Bolsonaro emitiu quase trinta decretos desde que tomou posse para facilitar a aquisição e a posse de armas, tornando-as mais difíceis de serem monitoradas e rastreadas. Os “cidadãos do bem” deveriam estar armados para se defenderem contra criminosos, argumenta ele.

O cenário de ações violentas de apoiadores de Bolsonaro radicais e possivelmente armados contra instituições democráticas já não podia ser descartado mesmo antes da invasão do Capitólio em Washington. No ano passado, houve manifestações contra o Congresso e o Supremo Tribunal Federal, exigindo seu fechamento. O próprio Bolsonaro também compareceu a alguns dos protestos.

A busca de Bolsonaro por mais influência sobre o Exército é amplamente vista com preocupação no Brasil. […] Observadores consideram improvável que generais embarquem numa aventura ao lado de Bolsonaro – que é ele próprio apenas um capitão indisciplinado da reserva. Por outro lado, não está clara qual é a situação nas fileiras inferiores. Ainda mais obscura é a situação dos policiais. […]

É pouco provável que haja um golpe institucional no Brasil, acredita Leonel Radde, policial civil do Rio Grande do Sul. Mas ele diz estar quase certo de que o Brasil verá algo como 6 de janeiro de 2022. Radde não descarta que haja também policiais que pegariam armas para Bolsonaro.

Der Tagesspiegel – Quem responsabilizará o imprudente presidente do Brasil? (12/04)

Jair Bolsonaro inflama os “pulmões do mundo” e provoca o surgimento dos supervariantes do coronavírus. O mundo deveria reagir.

O vírus não conhece fronteiras e não tem nacionalidade ou passaporte. E nenhuma nação é uma ilha, especialmente um gigantesco Estado em termos territoriais como o Brasil. O que é negligenciado ali tem repercussões globais, como já ocorreu com a imprudência de Bolsonaro em relação a incêndios na Floresta Amazônica. Sua destruição prejudica o clima do mundo, assim como a gestão ameaçadora do coronavírus pelo Brasil prejudica a saúde mundial.

O Brasil está atualmente arriscando a propagação da variante P.1 do coronavírus, originária da metrópole amazônica Manaus. […] Quanto mais variantes se espalham, maior o perigo de variantes que escapam de vacinas e contra as quais as vacinas atuais fazem pouco ou nada. O resultado são ainda mais mortes, e ainda mais bilhões são necessários para o desenvolvimento de novas vacinas e campanhas de vacinação.

O governo brasileiro simplesmente aceita o avanço do vírus contra sua própria população – e também contra populações de outros países. Mas estes não deveriam aceitar isto. Um tribunal internacional do coronavírus, que poderia investigar e condenar, dificilmente poderá existir, mesmo porque encontrar evidências é altamente complexo. Mas é necessário enviar sinais econômicos e políticos claros para Bolsonaro.

Die Welt – Mutação e mudança climática: o futuro está em jogo no Brasil (13/04)

As críticas internacionais a Bolsonaro são particularmente duras no momento. Porque o que está acontecendo no Brasil não pode ser ignorado pelo resto do mundo, nem que seja apenas por interesse próprio. A contenção da pandemia e uma notável redução do desmatamento na Amazônia têm um impacto direto sobre os países vizinhos – e, a longo prazo, sobre o mundo inteiro. Por exemplo, há meses os cientistas criticam o governo em Brasília por fazer muito pouco para conter a pandemia, possibilitando assim o surgimento de novas variantes que depois se tornam perigosas também para outros países. O jornal francês Le Monde chamou o Brasil de uma fábrica de vírus.

Também se intensificam as críticas de ambientalistas em relação ao contínuo desmatamento da Floresta Amazônica. Há anos, cientistas temem pelo sensível ecossistema, que é central para o clima. Agora Bolsonaro está lançando uma última tentativa para salvar sua reputação internacional: um acordo com os EUA sobre a floresta tropical, a tempo da cúpula climática de Joe Biden, na qual o presidente dos EUA pediu que chefes de Estado e de governo comparecessem na segunda quinzena de abril.

Um acordo, isso é certo, é de importância elementar para ambos os lados: o presidente americano havia prometido durante a campanha eleitoral se engajar ativamente na proteção da floresta tropical investindo bilhões de dólares. E Bolsonaro precisa urgentemente melhorar sua reputação entre ambientalistas, a fim de oferecer a seus críticos domésticos um alvo a menos.

Em sua essência, o acordo deve ser assim: os EUA investem bilhões no Brasil, e, em troca, Bolsonaro se compromete a reduzir a taxa de desmatamento em pelo menos 40%. Para Brasília, que sempre vetou a interferência em assuntos internos, esta seria uma solução valiosa, já que Bolsonaro poderia recorrer a bilhões de dólares de Washington. Biden, por sua vez, marcaria seu primeiro sucesso na política climática global. A Europa também poderia se beneficiar de tal acordo, exigindo uma mudança de rumo na política amazônica de Bolsonaro em troca da implementação de um acordo de livre comércio. Se tal acordo pode realmente estabilizar de forma sustentável a floresta tropical, que foi maciçamente desmatada durante anos, é no mínimo questionável.

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